8/21/2023 01:08:00 PM

No mais recente relatório divulgado pelo Human Rights Watch (HRW) nesta segunda-feira (21/08), graves acusações são direcionadas aos guardas da fronteira da Arábia Saudita, alegando que eles estariam atirando e lançando bombas contra imigrantes provenientes da Etiópia.
O HRW baseia suas acusações em relatos de testemunhas oculares, que afirmam ter testemunhado ataques perpetrados por tropas sauditas, e em imagens que evidenciam cadáveres e cemitérios nas rotas migratórias. Segundo o HRW, o número de vítimas fatais poderia ser alarmante, possivelmente alcançando a casa dos milhares.
A situação levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a questionar a Arábia Saudita sobre os relatos de tropas abrindo fogo contra os migrantes. Tais incidentes aparentemente estariam ocorrendo de forma crescente ao longo da fronteira sul da Arábia Saudita com o Iêmen, país já devastado por conflitos armados.
Em resposta às acusações, um funcionário do governo saudita, falando anonimamente, classificou o relatório do HRW como "infundado e não baseado em fontes confiáveis", sem, no entanto, apresentar evidências que sustentem essa negação.
A migração etíope para a Arábia Saudita se intensificou, principalmente devido aos conflitos na região do Tigré, no norte da Etiópia, que já persistem por mais de dois anos. Estima-se que cerca de 750.000 etíopes vivam na Arábia Saudita, com até 450.000 possivelmente tendo entrado no país sem autorização, conforme estatísticas da Organização Internacional para Migração em 2022.
A política saudita de repatriar imigrantes tem sido alvo de questionamentos internacionais, especialmente diante do desemprego juvenil no país. Em março, a missão da Arábia Saudita na ONU em Genebra enviou uma carta refutando veementemente as alegações de assassinatos "sistemáticos" na fronteira, embora admitindo ter recebido "informações limitadas" da ONU para corroborar essas alegações.
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