8/11/2023 09:37:00 AM

Na madrugada desta sexta-feira (11/08), a Rússia retomou sua busca lunar ao lançar sua primeira missão em 47 anos. O objetivo é reacender o setor espacial russo, que enfrentou desafios recentes e isolamento devido às tensões na Ucrânia.
O propósito dessa missão é ambicioso: a Rússia busca se tornar a primeira potência mundial a pousar no polo sul da Lua, uma região que se acredita abrigar fontes de água gelada, essenciais para futuras explorações espaciais.
A sonda Luna-25 marca o retorno de Moscou à exploração lunar desde 1976, quando a antiga União Soviética deixou sua marca pioneira no espaço. Desde então, questões de financiamento e escândalos de corrupção têm afetado seu programa espacial.
O lançamento ocorreu no horário programado, às 02h10 (horário de Moscou), a partir do cosmódromo de Vostotchny, no extremo oriente do país. Imagens transmitidas ao vivo pela agência espacial russa Roscosmos mostraram o foguete Soyuz, carregando a sonda de quase 800 kg, rompendo os céus cinzentos em uma coluna de fumaça e chamas.
A sonda deverá chegar à órbita lunar em cinco dias, seguidos por um período de três a sete dias para escolher o local de pouso no polo sul lunar. Roscosmos anunciou que o pouso suave na superfície lunar está planejado para 21 de agosto, ao norte da cratera Buguslavsky, marcando a primeira vez que um pouso lunar ocorre no polo sul.
"Ambição Histórica" - Um alto funcionário da Roscosmos, Alexandre Blokhine, destacou a importância histórica deste empreendimento. Até então, todas as missões haviam pousado na zona equatorial da Lua.
A missão da sonda, projetada para durar um ano na Lua, inclui coleta e análise de amostras do solo lunar, além de investigações científicas de longo prazo. Este lançamento inaugura o novo programa lunar russo, que atualmente não possui parcerias com o Ocidente, mas está expandindo suas cooperações com a China.
Apesar das sanções e tensões geopolíticas, o presidente Vladimir Putin reiterou o compromisso da Rússia com a exploração espacial. Ele lembrou o exemplo da URSS que, em 1961, enviou o primeiro humano ao espaço em meio a crescentes rivalidades entre as superpotências.
A Missão "Arriscada" - No entanto, a missão Luna-25 é considerada arriscada, com cerca de 70% de probabilidade de sucesso, de acordo com Yuri Borissov, chefe da Roscosmos. Durante uma reunião em junho, ele compartilhou essa estimativa com Vladimir Putin.
A primeira parte do lançador Soyuz caiu a 28 km da vila de Shakhtinsky, no extremo leste do país. O governador da região, Mikhail Degtiariov, informou que os moradores da vila foram evacuados uma hora antes do lançamento como medida de precaução.
A última missão soviética à Lua, a Luna-24 em 1976, trouxe amostras de solo lunar para a Terra, e agora, com a Luna-25, a Rússia busca mais descobertas e avanços no espaço.
Embora o setor espacial russo tenha desempenhado um papel crucial na história da exploração espacial, incluindo o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite, e o pioneirismo em enviar humanos ao espaço, ele enfrentou desafios modernos. Dependendo fortemente de tecnologias legadas da era soviética e sofrendo com financiamento crônico, a Rússia busca inovações para competir com potências espaciais emergentes, como os Estados Unidos, China e atores privados, como a SpaceX de Elon Musk.
A missão Luna-25 reflete a persistente ambição russa de conquistar o espaço, inspirada pela coragem de seus antepassados, mesmo em face de desafios complexos e concorrência acirrada.
Comentários
Postar um comentário