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Governo brasileiro busca parcerias estratégicas para promover transparência nas eleições venezuelanas

Diálogo discreto e cooperação internacional visam garantir um processo eleitoral transparente na Venezuela


Em uma movimentação discreta, o governo brasileiro está buscando estabelecer diálogos com um grupo seleto de países - Estados Unidos, Colômbia, Chile e Espanha - visando discutir os próximos passos para garantir eleições presidenciais minimamente transparentes na Venezuela.

O anúncio das eleições pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para o dia 28 de julho foi recebido com certo otimismo no Palácio do Planalto e no Itamaraty, que enxergam esse marco como um "primeiro passo" significativo. No entanto, o governo mantém uma postura cautelosa, aguardando os desdobramentos nas próximas semanas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem sido aconselhado a evitar críticas públicas diretas a Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, a fim de não comprometer as relações bilaterais. Contudo, o Planalto e o Itamaraty estão empenhados em realizar uma análise mais detalhada da situação.

Nesta quarta-feira (6), Lula deverá discutir o assunto em caráter reservado com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, que está em visita oficial ao Brasil. Além disso, contatos de alto nível serão estabelecidos com os governos de Joe Biden (Estados Unidos), Gustavo Petro (Colômbia) e Gabriel Boric (Chile) para debater a situação venezuelana.

Em uma recente visita, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, expressou às autoridades brasileiras que vê Lula e Petro como potenciais influências positivas sobre Maduro no processo eleitoral, conforme relatos de fontes diplomáticas à CNN.

Um aspecto considerado positivo pelo governo brasileiro no anúncio das eleições foi a divulgação de um calendário eleitoral completo, contemplando janelas para a postulação de candidaturas, registro eleitoral e campanha. Agora, o Brasil acompanha discretamente a expectativa por um gesto por parte de María Corina Machado, líder opositora que venceu as primárias com ampla margem, mas teve sua inabilitação política confirmada posteriormente.

Embora o governo Lula não deva expressar publicamente essa opinião, acredita-se que a desistência de María Corina em favor de outro nome da oposição poderia contribuir para a "pacificação" do processo eleitoral. Nesse sentido, Manuel Rosales, governador de Zulia e candidato presidencial derrotado em 2006 contra Hugo Chávez, é um dos nomes cogitados.

Brasília avalia que esse cenário ajudaria a distensionar o processo eleitoral, pois o desafio da oposição venezuelana não se resume apenas a ganhar as eleições, mas também a assumir o cargo e governar efetivamente. O discurso de María Corina, que frequentemente promete punir os chavistas no poder, é visto como uma complicação adicional nesse processo.

Um dos pontos de atenção para o governo brasileiro é a reação dos Estados Unidos e a manutenção do Acordo de Barbados, que prevê o relaxamento das sanções econômicas contra a Venezuela em troca da marcação de eleições. O consenso no Planalto e no Itamaraty é de que ainda há um longo caminho pela frente na Venezuela, especialmente garantindo que não haja repressão aos oposicionistas durante a campanha e assegurando condições para observação independente por parte de entidades internacionais, como a União Europeia e o Centro Carter.

No entanto, apesar dos desafios, o governo brasileiro reconhece que o cumprimento do compromisso de realizar eleições presidenciais no segundo semestre de 2024 representa um avanço na Venezuela. Um auxiliar de Lula destaca a importância de acompanhar atentamente os próximos passos, mas ressalta a necessidade de não partir do pressuposto de que se trata de uma ditadura e uma eleição roubada, enfatizando a importância de uma abordagem equilibrada e diplomática.

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