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Violência contra entregadores de aplicativos no Brasil: uma questão estrutural e racial

Reflexões sobre as raízes históricas e sociais que perpetuam a discriminação e a insegurança no ambiente de trabalho


Na terça-feira (4), Nilton Ramon de Oliveira, um jovem entregador de 24 anos, foi baleado por um cliente policial militar na zona oeste do Rio de Janeiro. Esse incidente não é um caso isolado, mas sim um reflexo de questões estruturais que remontam ao passado escravista brasileiro, como argumenta Leonardo Dias Alves, mestre em política social e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo Alves, embora a abolição da escravidão tenha mais de 135 anos, muitos dos princípios que regiam as relações raciais e trabalhistas da época ainda persistem no presente. O controle e a violência sobre a força de trabalho, característicos do período escravista, continuam presentes, especialmente em profissões como a de entregador, predominantemente ocupada por pessoas negras.

Alves ressalta que o racismo estrutural é muitas vezes tratado como um problema moral ou comportamental, quando na verdade é uma questão sistêmica que permeia todas as esferas da sociedade. Para ele, é fundamental uma transformação social profunda para alcançar relações de trabalho justas e antirracistas.

No entanto, enquanto essa mudança não ocorre, é urgente uma ação mais incisiva das empresas de aplicativos, como o iFood, que empregam esses trabalhadores. O pesquisador questiona se essas empresas têm interesse genuíno em garantir a segurança e o bem-estar de seus trabalhadores, ou se estão mais preocupadas com o lucro, mesmo que isso signifique ignorar os riscos enfrentados pelos entregadores.

Em resposta às preocupações levantadas, o iFood informou que possui uma central de apoio jurídico e psicológico para casos de violência contra os entregadores. No entanto, dados revelam que em 2024 foram notificadas 13.576 denúncias de ameaça e agressão física à plataforma, sendo o Rio de Janeiro o local mais crítico.

Diante desse cenário, é essencial que as empresas proprietárias desses aplicativos assumam a responsabilidade pela segurança e pelos direitos dos trabalhadores, implementando medidas eficazes de proteção e combatendo ativamente o racismo e outras formas de discriminação no ambiente de trabalho. A procuradora do trabalho Juliane Mombelli enfatiza a importância de garantir que os entregadores possam realizar suas atividades com segurança e dignidade, livre de discriminação e violência.

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