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Espanha suspende temporariamente ferramentas eleitorais da Meta no Instagram e Facebook

Decisão baseada em potenciais violações do GDPR espanhol visa proteger dados pessoais nas eleições europeias


A Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) ordenou a suspensão temporária de dois produtos da Meta, planejados para serem utilizados nas próximas eleições europeias nas plataformas de mídia social Instagram e Facebook. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (31/05), foi baseada em potenciais violações do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da Espanha.

Os produtos em questão, conhecidos como "Election Day Information" (EDI) e "Voter Information Unit" (VIU), foram desenvolvidos pela Meta com o objetivo de incentivar a participação eleitoral dos usuários das redes sociais. Segundo a Meta, essas ferramentas foram projetadas especificamente para respeitar a privacidade dos usuários e cumprir rigorosamente o GDPR. Um porta-voz da empresa afirmou: "Nossas ferramentas eleitorais foram expressamente projetadas para respeitar a privacidade dos usuários e cumprir o GDPR. Embora discordemos da avaliação da AEPD nesse caso, estamos cooperando com sua solicitação."

No entanto, a AEPD argumenta que o processamento de dados proposto pela Meta poderia violar a regulamentação espanhola de proteção de dados. A agência destaca que a Meta pretendia enviar notificações a todos os usuários elegíveis do Instagram e do Facebook na União Europeia, lembrando-os de votar. Esse processo envolveria a seleção de eleitores com base nos dados de perfil dos usuários, como cidade de residência e endereços IP.

De acordo com a AEPD, esse método de seleção exclui cidadãos da União Europeia que residem no exterior e inclui cidadãos de países não pertencentes à UE que estão temporariamente na Europa. A agência classificou o tratamento de dados como "desnecessário, desproporcional e excessivo", argumentando que a única condição para votar nas eleições europeias é ser um cidadão adulto de qualquer um dos Estados-membros da UE.

A AEPD também criticou a coleta de dados sobre a idade dos usuários, apontando que não havia um mecanismo confiável para verificar a idade declarada pelos próprios usuários. Além disso, considerou o tratamento dos dados de interação dos usuários como "totalmente desproporcional" em relação ao objetivo declarado de informar sobre as eleições.

Outro ponto de crítica da agência foi a falta de justificativa por parte da Meta para a necessidade de armazenar os dados dos usuários após a eleição. A AEPD afirmou que isso "revela uma finalidade adicional para a operação de processamento", o que não foi devidamente esclarecido pela Meta.

A suspensão temporária desses produtos representa uma medida preventiva até que a AEPD conclua sua análise sobre o cumprimento das normas de proteção de dados pela Meta. Esse caso ressalta a crescente vigilância e preocupação das autoridades europeias em relação ao uso de dados pessoais pelas grandes empresas de tecnologia, especialmente em contextos sensíveis como as eleições.

A Meta, por sua vez, afirmou que continua comprometida com a cooperação junto às autoridades reguladoras e que está revisando seus processos para garantir que estejam em conformidade com todas as regulamentações aplicáveis. A empresa destacou a importância de suas ferramentas eleitorais para promover a participação democrática e assegurou que buscará um diálogo construtivo com a AEPD para resolver as questões levantadas.

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