5/23/2024 01:50:00 PM

Na quinta-feira (23/05), milhares de pessoas lotaram as ruas da cidade sagrada de Mashhad, no Irã, para prestar suas últimas homenagens ao presidente Ebrahim Raisi, que faleceu quatro dias antes em um trágico acidente de helicóptero. Imagens transmitidas pela mídia iraniana mostraram uma multidão emocionada acompanhando o cortejo fúnebre, que se dirigia ao santuário Imam Reza, o local islâmico mais sagrado do Irã e reverenciado como o túmulo do Imam Ali al-Reza, do século IX.
Ebrahim Raisi, aos 63 anos, era uma figura proeminente no cenário político iraniano, visto por muitos como o provável sucessor do líder supremo Ali Khamenei, de 85 anos, que detém o poder máximo no país. Com a morte de Raisi, Mohammad Mokhber, que ocupava o cargo de primeiro vice-presidente, foi designado presidente interino até as eleições presidenciais marcadas para junho.
A cerimônia fúnebre em Mashhad foi marcada por manifestações de profundo pesar, com flores sendo jogadas no caixão de Raisi enquanto ele era transportado lentamente por um caminhão através da multidão. O corpo de Raisi foi levado para Mashhad, localizada a 900 km a leste de Teerã, após passar por Birjand, onde milhares de pessoas também prestaram suas homenagens em uma carreata solene.
O acidente de helicóptero que tirou a vida de Raisi ocorreu em uma área montanhosa próxima à fronteira com o Azerbaijão, resultando na morte de todos os oito passageiros e tripulantes a bordo. Entre as vítimas estava o ministro das Relações Exteriores, Hossein Amirabdollahian, cuja perda foi igualmente sentida em todo o país.
O governo iraniano decretou cinco dias de luto oficial em memória de Raisi, que era conhecido por suas políticas linha-dura alinhadas com as diretrizes de seu mentor Khamenei. Sua administração focava na consolidação do poder clerical, repressão de opositores e uma postura inflexível em questões de política externa, incluindo as negociações nucleares com Washington para reviver o acordo nuclear de 2015.
Em Teerã, uma cerimônia especial foi realizada no Ministério das Relações Exteriores para homenagear Hossein Amirabdollahian. O chanceler em exercício, Ali Bagheri Kani, exaltou a memória de Amirabdollahian, descrevendo-o como um mártir que "garantiu a natureza revolucionária" do ministério.
Amirabdollahian foi enterrado no santuário de Shah Abdolazim, na cidade de Rey, ao sul de Teerã, um local que abriga os túmulos de diversos notáveis políticos e artistas iranianos. A perda de duas figuras tão influentes em um único acidente abalou profundamente o país, ressaltando a fragilidade da vida e a imprevisibilidade do destino, enquanto a nação se prepara para um período de transição política e reflexões sobre seu futuro.
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