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Crise no Quênia: violência em protestos por reforma tributária

ONU insta moderação enquanto parlamento aprova aumentos fiscais e confrontos deixam mortos em Nairobi


O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo urgente nesta terça-feira para que as forças de segurança no Quênia exerçam moderação, após confrontos violentos durante protestos na capital Nairobi. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, expressou profunda preocupação com os relatos de disparos contra manifestantes que tentavam invadir o parlamento, resultando na trágica morte de pelo menos cinco pessoas.

“É crucial que os direitos das pessoas de se manifestarem pacificamente sejam respeitados”, enfatizou Dujarric em comunicado à imprensa. A violência eclodiu em meio à aprovação pelo Parlamento queniano de um controverso projeto de lei destinado a aumentar os impostos e gerar receitas adicionais de cerca de US$ 2,7 bilhões. Esta medida é parte de um esforço mais amplo para reduzir o déficit público, que atualmente consome uma parte significativa das receitas anuais do país, principalmente para o pagamento de juros da dívida.

A legislação provocou protestos generalizados entre os cidadãos quenianos, muitos dos quais já enfrentam dificuldades econômicas devido ao aumento do custo de vida. Partes do edifício do parlamento foram incendiadas durante os distúrbios, refletindo o clima de intensa frustração e descontentamento.

Além disso, a situação política no Quênia está exacerbada pela pressão sobre o presidente William Ruto, que chegou ao poder há quase dois anos com uma plataforma eleitoral centrada na defesa dos trabalhadores de baixa renda. No entanto, as demandas dos credores internacionais, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), por reformas fiscais severas têm colocado Ruto sob crescente escrutínio público.

Enquanto os legisladores aguardam a sanção presidencial do projeto de lei aprovado, a comunidade internacional, incluindo a ONU, continua monitorando de perto a situação no Quênia. A preocupação com a violência e a necessidade urgente de respeito aos direitos humanos fundamentais permanecem no centro das atenções, enquanto o país tenta equilibrar as demandas econômicas e sociais em um período desafiador de sua história recente.

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