6/02/2024 02:31:00 PM

A eleição presidencial no México, marcada para este domingo (02/06), deve resultar na vitória de Claudia Sheinbaum, de 61 anos, conforme indicam a maioria dos institutos de pesquisa. Sheinbaum, candidata progressista do partido Morena, lidera as intenções de voto com 52% a 60%. Xóchitl Gálvez, da oposição, está em segundo lugar com 21% a 36%, e Jorge Álvarez Máynez aparece em terceiro, com 6% a 23%. O México não possui segundo turno; vence quem obtiver a maioria dos votos absolutos.
Eleição histórica
Mais de 99 milhões de eleitores irão às urnas para eleger, além do novo presidente, 128 senadores, 500 deputados federais e cerca de 20 mil cargos locais, incluindo prefeituras e câmaras de vereadores. Se confirmada a vitória de Claudia Sheinbaum, ela será a primeira mulher a presidir o México.Violência eleitoral
A eleição deste ano tem sido marcada por uma onda de violência associada aos cartéis de drogas, resultando na morte de ao menos 30 candidatos, 73% dos quais concorrendo a prefeituras, segundo o Seminário Sobre Violência do El Colégio de México. Em 2021, o número foi de 32 candidatos assassinados. A violência tem sido um dos principais temas da campanha de Sheinbaum, que destacou a redução da taxa de homicídios durante seu mandato como prefeita da Cidade do México, de 2018 a 2023.Políticas sociais e apoio popular
Waldir Rampinelli, professor de história da UFSC, destaca que as políticas sociais implementadas pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, do mesmo partido de Sheinbaum, são um fator crucial para sua provável sucessão. Programas como a ajuda mensal aos idosos e o aumento do salário mínimo garantiram apoio popular ao governo. Mario Farid Reyes Gordillo, doutorando na UNAM, ressalta que a direita mexicana não conseguiu superar sua imagem de corrupção e repressão, o que beneficia a candidatura de Sheinbaum.Perfil progressista
Sheinbaum, ex-prefeita da Cidade do México, é reconhecida por sua atuação em áreas como energia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, tendo trabalhado no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Segundo Rampinelli, ela deve continuar as políticas de López Obrador, com foco em direitos humanos, meio ambiente e direitos das mulheres. No entanto, a dependência econômica do México em relação aos Estados Unidos e a questão da imigração na fronteira norte são desafios significativos.Desafios e expectativas
A relação entre México e Estados Unidos, a violência, a corrupção e os direitos das mulheres são temas centrais desta eleição. A participação política ativa do movimento feminista durante o governo de López Obrador deve mobilizar um grande número de eleitoras. Rampinelli observa que a eleição de Sheinbaum é inédita em um país historicamente machista.Relações econômicas e comerciais
Com uma população de quase 130 milhões, o México possui a segunda maior economia da América Latina, atrás apenas do Brasil. Em 2023, o PIB mexicano cresceu 3,2%, com a taxa de pobreza caindo de 43,9% em 2020 para 36,3% em 2022. As relações comerciais entre Brasil e México também têm se intensificado, com as exportações brasileiras para o México crescendo 74% de 2019 a 2023, apesar da pandemia. Em 2023, o Brasil exportou US$ 8,5 bilhões e importou US$ 5,5 bilhões em produtos mexicanos.A vitória de Claudia Sheinbaum pode representar uma continuidade nas políticas progressistas e sociais implementadas por López Obrador, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios significativos relacionados à violência e à dependência econômica do México dos Estados Unidos.
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