6/21/2024 01:54:00 PM

Em março, Estados Unidos e China retomaram, pela primeira vez em cinco anos, conversações semioficiais sobre armas nucleares. Representantes chineses asseguraram aos seus homólogos norte-americanos que não utilizariam ameaças atômicas em relação a Taiwan, conforme relataram dois delegados norte-americanos presentes no encontro.
As garantias foram oferecidas após os representantes dos EUA expressarem preocupações de que a China poderia recorrer a armas nucleares, ou ameaçar seu uso, caso enfrentasse uma derrota em um conflito envolvendo Taiwan. A China considera a ilha, que é governada democraticamente, como parte de seu território, uma reivindicação não aceita pelo governo de Taipé.
Essas conversações, conhecidas como Track Two, geralmente envolvem ex-autoridades e acadêmicos capazes de refletir a posição de seus governos, ainda que não estejam diretamente envolvidos na formulação dessas políticas. Em contrapartida, as negociações formais entre governos são denominadas Track One.
A delegação norte-americana foi composta por cerca de meia dúzia de ex-autoridades e acadêmicos. As discussões ocorreram durante dois dias em uma sala de conferências de um hotel em Xangai. Por sua vez, a China enviou uma delegação de acadêmicos e analistas, incluindo ex-oficiais do Exército de Libertação Popular.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou à Reuters que as conversações do Track Two podem ser “benéficas”, embora o departamento não tenha participado diretamente da reunião de março, apesar de estar ciente dela. O porta-voz destacou que essas discussões informais não substituem as negociações formais, que demandam participantes com autoridade para tratar de questões altamente confidenciais dentro dos círculos do governo chinês.
Os membros da delegação chinesa e o Ministério da Defesa de Pequim não comentaram sobre o encontro. As conversações ocorreram em um momento de desacordo significativo entre EUA e China sobre questões econômicas e geopolíticas.
Apesar de um breve reinício das conversações Track One sobre armas nucleares em novembro, essas negociações formais permanecem paralisadas. Uma alta autoridade dos EUA expressou publicamente frustração com a resposta da China nesse contexto. O Pentágono estima que o arsenal nuclear da China tenha crescido mais de 20% entre 2021 e 2023, e indicou que a China poderia considerar o uso de armas nucleares para restaurar a dissuasão em caso de derrota militar convencional em Taiwan.
A China não descartou o uso da força para controlar Taiwan e intensificou sua atividade militar em torno da ilha nos últimos quatro anos. As conversações Track Two fazem parte de um diálogo de duas décadas sobre armas nucleares e postura militar, que foi interrompido quando o governo Trump retirou o financiamento em 2019.
Após a pandemia da Covid-19, as discussões semioficiais foram retomadas com foco em questões mais amplas de segurança e energia. Contudo, a reunião de Xangai foi a primeira a tratar detalhadamente sobre armas nucleares. Carl Santoro, diretor do instituto Pacific Forum, relatou “frustrações” de ambos os lados durante as últimas discussões, mas ressaltou que as duas delegações encontraram razões para continuar o diálogo. Novas discussões estão previstas para 2025.
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