6/06/2024 12:45:00 PM

O chefe da Organização Internacional do Trabalho (OIT) criticou nesta quinta-feira (06/06) a deterioração dos direitos trabalhistas dos palestinos desde o início da guerra entre Israel e Hamas em Gaza, apelando para o fim das restrições que impedem esses trabalhadores de atuar em Israel.
A abordagem de Israel aos trabalhadores palestinos, há décadas alvo de críticas pelo órgão trabalhista da ONU, piorou desde o conflito iniciado em 7 de outubro. As críticas se concentram na perda de mais de meio milhão de empregos e na exclusão de cerca de 200 mil palestinos de Israel por razões de segurança.
"Este tem sido o ano mais difícil para os trabalhadores palestinos desde 1967", afirmou Gilbert Houngbo, diretor-geral da OIT, em uma reunião em Genebra, referindo-se à guerra que resultou na tomada da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza por Israel.
Os direitos trabalhistas foram "dizimados", disse ele ao apresentar um relatório da OIT sobre as condições de trabalho na Palestina, apelando para que Israel reabra seu mercado de trabalho.
O pedido de Houngbo foi apoiado pelo Ministro do Trabalho da Palestina, por diversos diplomatas de países como o Egito e por grupos de trabalhadores. Um representante ficou emocionado ao descrever as condições em Gaza, onde mais de 36 mil pessoas foram mortas na operação militar de Israel, segundo autoridades de saúde de Gaza.
Durante a mesma reunião, dezenas de delegados saíram da sala enquanto Israel apresentava sua posição. A delegada israelense, Yeela Cytrin, culpou o Hamas pela exclusão dos trabalhadores palestinos de Israel, mencionando ataques a rotas de passageiros e os eventos de outubro, nos quais 1.200 israelenses foram mortos e mais de 250 foram feitos reféns, conforme dados israelenses.
“O caminho para melhorar as condições de trabalho não está na condenação cega de Israel”, afirmou Cytrin.
A OIT, uma das entidades mais antigas da ONU, criada após a Primeira Guerra Mundial, busca promover o cumprimento das normas internacionais de trabalho. Embora seu relatório anual sobre as condições de trabalho na Palestina seja publicado desde 1980, esta é a primeira vez que a OIT faz recomendações específicas.
Entre as recomendações, além de pedir que Israel reabra seu mercado de trabalho, a OIT sugere que a organização participe da recuperação de Gaza, ajudando na criação de empregos e em esquemas de proteção social para os trabalhadores. “O simples fato de que o povo palestino pode ter empregos decentes de volta ajudaria na cura”, disse Houngbo à Reuters.
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