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Expansão da Organização de Cooperação de Xangai (SCO): Belarus se junta ao bloco liderado por China e Rússia

Novo membro do bloco liderado por China e Rússia reforça contraponto às instituições ocidentais


A Organização de Cooperação de Xangai (SCO), um bloco de países eurasiáticos liderado por China e Rússia, está prestes a se expandir novamente. A esperada admissão de Belarus, firme aliado da Rússia, será oficializada na cúpula anual de líderes em Astana, no Cazaquistão. Este movimento reforça a transformação do grupo de um bloco de segurança regional para um contrapeso geopolítico às instituições ocidentais lideradas pelos EUA e seus aliados.

Belarus, que apoiou abertamente a guerra da Rússia na Ucrânia, se tornará o mais recente estado autoritário a se juntar à SCO, após a inclusão do Irã no ano passado. Os líderes chinês Xi Jinping e russo Vladimir Putin já chegaram a Astana para a cúpula que começou nesta quarta-feira (03/07), marcando seu segundo encontro este ano. No entanto, a ausência do primeiro-ministro indiano Narendra Modi destaca o desconforto de alguns membros com a direção que a SCO está tomando.

Fundada em 2001 por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão para combater o terrorismo e promover a segurança nas fronteiras, a SCO cresceu nos últimos anos, refletindo a ambição de Pequim e Moscou de contrabalançar a “hegemonia” dos EUA. Em 2017, o bloco se expandiu para incluir Índia e Paquistão. Com a adição de Belarus, a organização contará com 10 membros, representando mais de 40% da população mundial e cerca de um quarto da economia global. Além disso, a SCO possui dois estados observadores, Afeganistão e Mongólia, e mais de uma dúzia de “parceiros de diálogo”, como Mianmar, Turquia e estados árabes.

A expansão da SCO ocorre após o grupo BRICS, também liderado por China e Rússia, ter mais que dobrado sua adesão recentemente. A admissão de Belarus destaca a mudança na missão da SCO, segundo Eva Seiwert, especialista em política externa da China no Instituto Mercator de Estudos sobre a China (MERICS) em Berlim. Para ela, a inclusão de Belarus é um movimento geopolítico, já que o país não oferece muita cooperação econômica ou de segurança.

Com a Rússia envolvida na guerra contra a Ucrânia, a SCO se tornou uma via diplomática crucial para Putin, permitindo que ele mostre que não está isolado internacionalmente. As relações deterioradas entre China e EUA fizeram com que Pequim se preocupasse menos com a percepção da SCO como uma organização anti-Ocidente, especialmente após a admissão do Irã.

A expansão da SCO não ocorreu sem atritos, como visto na admissão dos rivais Índia e Paquistão e nas tensões entre Pequim e Nova Délhi. A orientação antiocidental do grupo também causou desconforto entre membros que desejam manter boas relações com o Ocidente, como os estados da Ásia Central.

A ausência de Modi na cúpula em Astana sugere que a Índia não vê a SCO como o canal mais eficaz para seus interesses na região. Mesmo a China, principal força por trás da expansão da SCO, está buscando uma maneira mais direta de se engajar com a Ásia Central, sem a participação da Rússia.

Embora a SCO aspire ser um contrapeso às instituições lideradas pelos EUA, ainda é um bloco menos coeso e poderoso em comparação com a Otan, União Europeia ou o Grupo dos Sete. A expansão da adesão tornará a organização ainda menos como uma aliança comprometida e mais como um grupo representativo de uma identidade eurasiática.

Após a cúpula em Astana, a China assumirá a presidência rotativa da SCO por um ano. Pequim trabalhará para encontrar mais pontos em comum entre os estados membros, visando garantir que a SCO seja percebida como bem-sucedida, apesar das dificuldades que vieram com as expansões.

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