8/29/2024 05:32:00 PM

Um ataque em larga escala com drones e mísseis, realizado pela Rússia na segunda-feira (26/08), levou a Ucrânia a desligar várias unidades de suas usinas nucleares, conforme relatado por uma missão ucraniana à Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).
De acordo com autoridades ucranianas, mais de 200 mísseis e drones foram utilizados no ataque, que teve como alvo a infraestrutura energética do país. “A Federação Russa continua mirando deliberadamente a infraestrutura energética da Ucrânia, com o objetivo de interromper o funcionamento das usinas nucleares, que fornecem a maior parte da eletricidade do país”, afirmou a missão ucraniana na ONU na quinta-feira (29/08). A missão também destacou que os ataques representam um risco significativo para a operação segura das instalações nucleares e para a vida de milhões de pessoas.
Desde o início da invasão em fevereiro de 2022, a Rússia tem intensificado os ataques à rede elétrica ucraniana, especialmente a partir de março deste ano, em uma tentativa de enfraquecer o sistema antes da chegada do inverno, segundo Kiev.
Os ataques de segunda-feira visaram diretamente paralisar as operações das instalações de energia, de acordo com a missão ucraniana na IAEA. Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky, declarou no Telegram que “é uma decisão deliberada do regime de Putin ameaçar o mundo com uma catástrofe nuclear”.
Embora a Ucrânia não tenha afirmado que as centrais nucleares foram atacadas diretamente, os danos aos sistemas de transmissão e distribuição forçaram o operador da rede a reduzir a produção ou mesmo a desligar unidades nucleares. Como resultado, três das quatro unidades da central nuclear de Rivne, localizada no oeste do país, foram desativadas, assim como a unidade de energia 3 da central nuclear do sul da Ucrânia. A empresa estatal ucraniana Energoatom preferiu não comentar sobre o incidente.
O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, confirmou que o ataque atingiu subestações elétricas em nove regiões da Ucrânia, além de estações de compressão de gás em outras três.
Desde o início da guerra, a Ucrânia perdeu cerca de metade de sua capacidade de geração de energia, e atualmente depende majoritariamente das três centrais nucleares ainda em operação. A maior central nuclear da Europa, localizada em Zaporizhzhia, está sob controle russo e fora de operação.
A IAEA tem reiterado a necessidade de evitar combates nas proximidades das usinas nucleares, alertando para o risco de um desastre catastrófico. Na terça-feira (27/08), o chefe da IAEA, Rafael Grossi, visitou a usina nuclear russa de Kursk e afirmou que o local também enfrenta riscos de um acidente nuclear. A Rússia alegou que a usina foi alvo de um ataque por forças ucranianas após uma incursão surpresa, mas até o momento, a Ucrânia não se pronunciou sobre as acusações.
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