8/22/2024 02:05:00 PM

Uma recente pesquisa realizada pelo instituto venezuelano Meganalisis revelou que 43,2% dos entrevistados consideram deixar o país após o anúncio dos resultados das eleições presidenciais em 28 de julho, que declararam Nicolás Maduro como vencedor. A pesquisa, realizada entre 8 e 11 de agosto, entrevistou mais de mil pessoas em Caracas e nos 23 estados da Venezuela, e possui uma confiabilidade de 95%, segundo o instituto. A falta de transparência nos resultados eleitorais, que até o momento não foram divulgados por centro ou posto de votação, aumenta a tensão no país.
Este cenário levanta preocupações nas regiões fronteiriças da Colômbia, que compartilham 2.341 quilômetros de fronteira com a Venezuela e já sentiram o impacto de migrações em massa no passado. Em fevereiro, autoridades de imigração colombianas registraram mais de 2,8 milhões de venezuelanos vivendo no país. O prefeito de Cúcuta, Jorge Acevedo, uma cidade fronteiriça no nordeste da Colômbia, alertou que uma nova mobilização migratória pode estar a caminho, dependendo da evolução da situação na Venezuela. “Estamos nos preparando para essa possível onda de venezuelanos, mas esperamos que não seja maior do que em 2015 e anos anteriores”, afirmou Acevedo em coletiva de imprensa.
Alguns venezuelanos já estão deixando o país, temendo pela segurança pessoal. Durbi Borges, ex-testemunha de mesa eleitoral, relatou que teve que fugir para evitar a perseguição do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), que estava em busca de opositores. “Fui perseguido porque testemunhei que Maduro perdeu em todo o país. Agora, continuo na luta por uma Venezuela livre daqui”, declarou Borges durante manifestações em 17 de agosto.
O governo colombiano, por meio do Ministério das Relações Exteriores, mantém a posição de que a situação na fronteira é normal por enquanto, mas não descarta um aumento no fluxo migratório. Em visita ao departamento de La Guajira, o ministro Luis Gilberto Murillo afirmou que, por enquanto, não haverá declaração de emergência fronteiriça, argumentando que as expectativas de uma nova onda migratória ainda não têm fundamento concreto.
Entretanto, a possível migração em massa é uma questão sensível para o governo do presidente Gustavo Petro, devido ao impacto econômico, à ordem pública e à situação humanitária dos migrantes. “Um acordo político interno na Venezuela é o melhor caminho para a paz. Da nossa parte, as populações fronteiriças podem sentir-se calmas”, afirmou Petro em sua conta no X (antigo Twitter) em 15 de agosto, garantindo que as fronteiras permanecerão abertas para promover a prosperidade comum.
A Colômbia é não só um destino, mas também uma rota crucial para venezuelanos que buscam chegar a outros países do continente ou até aos Estados Unidos, atravessando a perigosa rota do Darién. Rafael Páez, um venezuelano que vive na Colômbia e faz parte da ONG Vente Venezuela, destacou que a situação na Venezuela pode empurrar muitos para essa arriscada travessia. Segundo dados da Provedoria de Justiça colombiana, cerca de 520 mil pessoas, de várias nacionalidades, atravessaram o Darién em 2023, incluindo muitos venezuelanos em condições precárias.
A questão agora é se a Colômbia está preparada para uma nova onda de migrantes. Oscar Montes, analista e colunista do jornal El Heraldo, expressou preocupações sobre a capacidade do país de lidar com uma situação humanitária de grande impacto, dada a escassez de recursos e a falta de apoio internacional. “Se não houver uma solução na Venezuela, a Colômbia será, sem dúvida, o país mais afetado”, concluiu Montes.
Com os alarmes soando, especialistas alertam que pode ser apenas uma questão de tempo até que um novo êxodo venezuelano comece.
Comentários
Postar um comentário