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Forças ucranianas avançam na região de Kursk e capturam soldados russos, afirma Zelensky

Incursão militar cria impasse diplomático e leva Moscou a reforçar fronteiras e segurança nuclear


As forças da Ucrânia continuam a avançar na região de Kursk, no sul da Rússia, uma semana após o início de sua incursão transfronteiriça. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nesta quarta-feira (14/08) que as tropas de Kiev progrediram de 1 a 2 quilômetros em várias áreas ao longo do dia. Além disso, o exército ucraniano alegou ter capturado cerca de 100 soldados russos e destruído um caça-bombardeiro russo SU-34.

Em uma videoconferência com o comandante militar Oleksandr Syrskyi, Zelensky exaltou as operações realizadas pelas forças ucranianas, elogiando sua precisão e eficácia, especialmente nos ataques a aeródromos russos. Segundo o presidente, esses ataques aéreos representam a maior ofensiva ucraniana contra aeródromos russos desde o início da guerra. Fontes ucranianas confirmaram que quatro aeródromos russos foram alvos de drones ucranianos durante a noite.

Ainda de acordo com Zelensky, apesar do sucesso nas operações com drones, a Ucrânia necessita de armamentos mais avançados, como mísseis de longo alcance, e continua trabalhando com seus parceiros internacionais para obter essas soluções.

A incursão ucraniana em território russo tem como objetivo principal criar uma “zona de segurança” ao longo da fronteira, de acordo com a ministra ucraniana Iryna Vereshchuk. A operação visa proteger as regiões de fronteira ucranianas, especialmente Sumy, que tem sofrido com ataques persistentes de artilharia e mísseis russos.

Com os avanços de Kiev, Moscou começou a deslocar tropas de áreas estratégicas na Ucrânia e na Crimeia para conter o ataque. Soldados foram retirados de regiões como Zaporizhzhia, Crimeia e Kharkiv, conforme relatado por fontes militares ucranianas.

A incursão ucraniana, que tem causado embaraço ao Kremlin, levou a Rússia a suspender quaisquer negociações de paz com a Ucrânia. O enviado russo Rodion Miroshnik afirmou que as conversas estão, no mínimo, “em uma longa pausa”.

Resposta da Rússia

Enquanto as forças ucranianas avançam, a Rússia enfrenta uma situação crítica em suas regiões de fronteira. Na região de Belgorod, que declarou estado de emergência, ataques ucranianos têm sido registrados, com drones atingindo locais como a cidade de Shebekino e a vila de Ustinka. O governador Vyacheslav Gladkov descreveu a situação como “extremamente difícil e tensa”.

Na região de Kursk, a Guarda Nacional da Rússia reforçou a segurança ao redor da usina nuclear local após a incursão ucraniana. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) monitora a situação e alertou para o risco de um acidente nuclear.

O Ministério da Defesa russo relatou ter abatido dezenas de drones e mísseis ucranianos na região de Kursk. O governador de Voronezh, Aleksandr Gusev, afirmou que as defesas aéreas russas destruíram mais de 35 drones ucranianos.

Desde o início da incursão, milhares de civis russos fugiram de suas casas. Em resposta, Moscou impôs medidas de segurança em Kursk, Belgorod e Bryansk. Apesar disso, o presidente russo Vladimir Putin prometeu que expulsará as forças ucranianas de solo russo, embora até o momento as tropas de Kiev continuem a avançar.

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden comentou sobre a ofensiva ucraniana, afirmando que a operação criou um “dilema real” para Putin e que continua recebendo atualizações regulares de sua equipe de segurança.

A incursão ucraniana em território russo é considerada a maior operação estrangeira na Rússia desde a Segunda Guerra Mundial, aumentando as tensões entre os dois países e dificultando ainda mais qualquer possibilidade de negociação diplomática.

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