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ONU denuncia repressão crescente na Venezuela após eleições presidenciais

Relatório aponta mortes e prisões em massa durante repressão a protestos


A Missão Independente da ONU para a Determinação de Fatos na Venezuela denunciou, nesta segunda-feira (12/08), que pelo menos 23 pessoas perderam a vida e 1260 foram detidas desde o dia das eleições presidenciais, ocorridas em 28 de julho. Entre os detidos, há informações alarmantes de que mais de 100 são crianças e adolescentes.

Em comunicado, a missão, criada em 2019 para investigar violações aos direitos humanos na Venezuela, destacou que o governo venezuelano deve “interromper imediatamente a crescente repressão que está abalando o país” e conduzir uma investigação profunda sobre as “graves violações aos direitos humanos” que estão sendo reportadas.

Segundo o relatório da missão, os protestos que eclodiram após as eleições foram seguidos por uma “repressão feroz” coordenada por autoridades de alto escalão, gerando um clima de medo generalizado no país. Das 23 mortes registradas entre 28 de julho e 8 de agosto, a maioria foi causada por disparos de armas de fogo, sendo que 18 das vítimas eram jovens com menos de 30 anos.

A presidente da missão, Marta Valiñas, exigiu que as mortes sejam “investigadas exaustivamente” e afirmou que, se for comprovado o uso excessivo de força letal pelas autoridades ou a participação de civis armados agindo com a conivência do Estado, os responsáveis devem ser punidos.

O levantamento da missão, baseado em dados de organizações de direitos humanos, aponta que as 1260 prisões têm características comuns, como a realização de audiências virtuais sumárias em Caracas, acusações de crimes graves como terrorismo e conspiração, muitas vezes sem provas suficientes, e a negativa de informações a familiares e aos próprios detidos, que são impedidos de escolher seus advogados.

Entre os detidos, estão membros e simpatizantes da oposição, jornalistas e defensores dos direitos humanos. A missão também expressou preocupação com as prisões de mais de 100 crianças e adolescentes, acusados dos mesmos crimes graves que os adultos e que estariam sendo processados sem a presença de pais ou responsáveis legais.

Esse cenário de repressão crescente e violações sistemáticas dos direitos humanos na Venezuela destaca a urgência de ações internacionais para garantir a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos venezuelanos.

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