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Puigdemont escapa da polícia após comício na Catalunha e retorna à Bélgica

Fuga de Puigdemont eleva pressão sobre o governo Sánchez e o apoio do Junts


O líder separatista catalão Carles Puigdemont retornou à Bélgica nesta sexta-feira (09/08), após escapar da polícia espanhola, mesmo com um mandado de prisão ativo contra ele. A fuga ocorreu depois de uma breve aparição em um comício em Barcelona, conforme informado pelo partido separatista Junts.

Jordi Turull, secretário-geral do Junts, declarou à rádio RAC1 que não tinha certeza se Puigdemont já havia chegado a Waterloo, onde vive em exílio autoimposto desde que comandou a fracassada tentativa de independência da Catalunha em 2017. A inesperada presença de Puigdemont em território espanhol e sua subsequente fuga, digna de um roteiro de cinema policial, acirraram as tensões com a oposição conservadora, que já estava insatisfeita com a anistia concedida pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez a diversos separatistas. Essa anistia faz parte de um acordo em troca de apoio ao governo minoritário de Sánchez.

A situação política se complicou ainda mais com a declaração de Turull de que o Junts estava reconsiderando seu apoio ao governo. Isso ocorreu após a Suprema Corte da Espanha decidir que a lei de anistia não se aplicava a Puigdemont e a outros dois acusados de desvio de dinheiro. Turull alertou que o apoio do Junts seria “um caminho muito estreito ou nenhum caminho”, a menos que Madri pressionasse pela aplicação plena da lei de anistia.

“A situação mudou muito devido ao contexto e aos parâmetros que tornaram nosso acordo possível, e temos de verificar se ele faz sentido”, afirmou Turull.

As acusações contra Puigdemont estão relacionadas ao referendo de independência de 2017, considerado ilegal pelos tribunais espanhóis. No entanto, Puigdemont sustenta que a votação foi legítima, e, por isso, as acusações não têm base legal.

O governo de Sánchez manteve-se em silêncio diante da ameaça do Junts e das críticas da oposição. O Ministro da Presidência, Félix Bolaños, disse a jornalistas em Paris que a operação estava sob a responsabilidade da polícia catalã, os Mossos d’Esquadra. “Eles são a força policial responsável por cumprir as ordens da Suprema Corte”, afirmou.

De acordo com Turull, Puigdemont havia planejado participar de uma votação no parlamento da Catalunha para confirmar o socialista Salvador Illa como novo líder do governo regional. “Ele não veio para ser preso na Espanha, mas para exercer seus direitos políticos”, explicou Turull. No entanto, por questões de segurança, Puigdemont optou por deixar o comício em um carro, temendo que não lhe fosse permitido entrar no parlamento.

O advogado de Puigdemont, Gonzalo Boye, confirmou à rádio RAC1 que seu cliente havia deixado a Espanha e que uma declaração pública seria feita “nos próximos dias”. Enquanto isso, tanto os Mossos d’Esquadra quanto a administração de Sánchez enfrentam críticas por não terem conseguido prender o fugitivo mais conhecido da Espanha, mesmo com sua presença pública. Nesta sexta-feira (09/08), o juiz da Suprema Corte responsável pela investigação de Puigdemont, Pablo Llarena, solicitou explicações dos Mossos e do Ministério do Interior sobre o fracasso na captura de Puigdemont e as ordens de monitoramento das fronteiras.

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