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Rússia pressiona Ucrânia por negociações de paz com termos rigorosos

Moscou exige cessão de territórios e renúncia à OTAN, enquanto Kiev insiste na soberania e integridade territorial reconhecidas pela ONU


Um alto funcionário russo alertou a Ucrânia nesta terça-feira (06/08) que quanto mais demorar para iniciar as negociações de paz, mais rigorosos serão os termos impostos ao seu povo. Moscou declarou que as negociações devem considerar a cessão de aproximadamente um quinto do território ucraniano — grande parte já sob controle das forças russas — e a renúncia à adesão à OTAN, condições que foram prontamente rejeitadas por Kiev.

Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia e ex-ministro da Defesa sob o presidente Vladimir Putin, afirmou que desde que Putin propôs os termos de paz em 14 de junho, a Ucrânia perdeu 420 quilômetros quadrados de território e muitas vidas. “A janela de oportunidade para a Ucrânia está se fechando”, disse Shoigu à televisão estatal, acrescentando que a Ucrânia perderá ainda mais território quanto mais tempo demorar para responder.

Shoigu criticou a crença do governo de Kiev de que uma nova cúpula de paz europeia resolverá seus problemas internos automaticamente, argumentando que essa ilusão está custando caro ao povo ucraniano. Ele forneceu números sobre as perdas de tropas ucranianas, embora a Reuters não tenha conseguido verificar esses dados e nenhum dos lados divulgue suas próprias baixas.

Desde a invasão russa em 2022, a Rússia controla cerca de 18% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada unilateralmente em 2014. Além disso, a Rússia mantém áreas em quatro regiões do sudeste da Ucrânia que Putin, com base em justificações históricas e culturais, insiste que Kiev deve ceder integralmente.

Segundo a Reuters, Putin está disposto a interromper a guerra com um cessar-fogo que reconheça as atuais linhas de batalha, mas continuará o conflito se Kiev e o Ocidente não responderem. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, declarou no mês passado que Kiev está pronta para negociações, desde que a soberania e a integridade territorial da Ucrânia — reconhecidas pela maioria dos Estados-Membros da ONU — sejam plenamente respeitadas.

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