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Zelensky confirma combates de tropas ucranianas em território russo após incursão em Kursk

Avanço ucraniano em Kursk põe Moscou em alerta


O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou oficialmente que as forças de Kiev estão engajadas em combates dentro do território russo, após uma incursão surpresa na região de Kursk, localizada na fronteira com a Ucrânia. Este ataque, que causou constrangimento ao Kremlin, marca um novo capítulo no conflito que já dura mais de dois anos.

Em um discurso transmitido no sábado à noite (11/08), Zelensky agradeceu às forças armadas ucranianas por “restaurar a justiça” e exercer a pressão necessária sobre o “agressor”. A declaração do presidente ucraniano representa a primeira vez que ele reconhece publicamente a operação em Kursk, que surpreendeu tanto a Rússia quanto os aliados da Ucrânia. Durante vários dias, as autoridades ucranianas mantiveram silêncio sobre a operação, apesar de surgirem evidências, como fotografias e vídeos, mostrando soldados ucranianos em solo russo.

A resposta de Moscou ao ataque tem sido tentar conter os avanços ucranianos. As autoridades russas decretaram uma operação antiterrorista abrangente em Kursk e em outras duas regiões de fronteira, resultando na evacuação de dezenas de milhares de pessoas de suas casas. A incursão, que já dura seis dias, é significativa, pois representa a primeira vez que unidades regulares e de operações especiais ucranianas entram em território russo, além dos ataques aéreos e ações de sabotagem que a Ucrânia já vinha realizando na região de Belgorod.

De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um grupo americano de monitoramento de conflitos, as forças ucranianas conseguiram manter suas posições em Kursk e avançaram um pouco mais, segundo imagens geolocalizadas e relatórios russos. Até a última sexta-feira, análises independentes indicavam que as autoridades russas haviam perdido o controle de pelo menos 250 quilômetros quadrados de território.

A operação em Kursk parece ter pego as tropas russas de surpresa, que estão enfrentando dificuldades para conter os avanços ucranianos. Vídeos nas redes sociais mostram soldados ucranianos substituindo bandeiras russas por bandeiras ucranianas na região. Em resposta, o governador de Kursk pediu a aceleração das evacuações, com mais de 76 mil pessoas já retiradas até o último sábado, segundo a agência estatal russa TASS.

O Kremlin, que classificou o ataque como uma “grande provocação”, optou por impor um regime de operação antiterrorista em vez de declarar estado de guerra ou lei marcial. Segundo o ISW, essa medida pode ter sido uma tentativa de minimizar o ataque para evitar pânico doméstico e críticas à capacidade da Rússia de defender suas fronteiras. O regime antiterrorista concede poderes ampliados às autoridades russas, como a capacidade de monitorar comunicações e restringir o movimento de pessoas.

Apesar da incursão em Kursk, Moscou continua sua ofensiva na Ucrânia, com ataques recentes a Kiev e outras áreas estratégicas. No domingo, a Rússia lançou mísseis e drones contra a região de Kiev, resultando na morte de um menino de quatro anos e seu pai, além de ferir gravemente outra criança. O ataque seguiu-se a uma greve em um supermercado na cidade de Kostiantynivka, na região de Donetsk, que deixou pelo menos 11 mortos e 37 feridos.

O comandante da Força Aérea Ucraniana, Mykola Oleshchuk, afirmou que a Rússia utilizou mísseis balísticos norte-coreanos KN-23 e drones iranianos Shahed nos recentes ataques, embora essa alegação não tenha sido verificada de forma independente. O verão de 2023 tem sido especialmente mortal para os civis ucranianos, com julho se tornando o mês mais letal em termos de vítimas civis desde outubro de 2022, segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia.

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