9/19/2024 05:22:00 PM

O advogado José Vicente Haro, representante do ex-candidato presidencial venezuelano Edmundo González, denunciou nesta quinta-feira (19/09) que seu cliente foi pressionado por membros do governo de Nicolás Maduro a assinar um documento classificado como “segredo de Estado”. A assinatura foi realizada em uma reunião sigilosa, sem a presença da defesa de González, que está asilado na residência do embaixador da Espanha em Caracas.
Haro relatou que o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e a vice-presidente Delcy Rodríguez impediram que ele participasse do encontro, onde foi exigida a assinatura de uma carta em que González acatava a sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que ratificou a reeleição de Maduro nas eleições de julho. O advogado afirmou que, caso estivesse presente, teria impedido seu cliente de assinar o documento, alegando que o mesmo ocorreu sob “pressão e coação”.
A defesa de González soube da assinatura apenas na quarta-feira (18/09), após o vazamento de informações nas redes sociais e a confirmação de Jorge Rodríguez durante uma coletiva de imprensa. Na carta, o opositor afirma não concordar, mas acatar a decisão do TSJ que validou a reeleição de Maduro, e se compromete a limitar suas atividades políticas fora do país.
“Não pretendo exercer representação formal ou informal de poderes públicos do Estado venezuelano”, diz o documento, que também reconhece as instituições constitucionais do país.
Em um vídeo divulgado após o vazamento, González afirmou que assinou o documento sob coação e pressão, ressaltando que sua decisão foi tomada diante de ameaças. “Ou eu assinava, ou enfrentaria as consequências”, disse o opositor, que continua se autodeclarando “presidente eleito” da Venezuela. Haro informou que o asilo de González deve ser formalizado pelo governo espanhol nos próximos dias.
Por outro lado, Jorge Rodríguez negou qualquer coação, desafiando González a desmentir suas acusações. “Tenho gravações das conversas. Quer que eu mostre?”, disse o líder chavista, dando um ultimato para que o opositor se retrate em 24 horas, sob ameaça de divulgar as supostas provas.
O episódio intensifica a tensão entre o governo Maduro e seus opositores, em um cenário político já marcado por controvérsias e questionamentos sobre a legitimidade das últimas eleições no país.
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