9/18/2024 05:24:00 PM

Edmundo González, candidato opositor nas últimas eleições presidenciais da Venezuela, afirmou ter sido coagido a assinar uma carta reconhecendo a vitória de Nicolás Maduro, que obteve mais de 51% dos votos, de acordo com o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela. González, que atualmente se encontra asilado na Espanha, disse que o documento assinado no dia 7 de setembro foi fruto de chantagem e, por isso, considera-o inválido.
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, González declarou-se “presidente eleito” e explicou que a assinatura foi uma condição imposta para que ele pudesse sair do país. Segundo ele, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, foram à embaixada da Espanha em Caracas com o documento que ele teria que assinar sob a ameaça de sofrer “consequências” caso recusasse. “Ou eu assinava, ou me ateria às consequências. Houve horas de coação, chantagem e pressões”, disse González. Ele justificou sua decisão afirmando que seria mais útil estando livre do que preso.
A carta, exibida publicamente por Jorge Rodríguez, mostra González reconhecendo a decisão do Tribunal Supremo de Justiça, embora discorde dela. No documento, endereçado ao presidente da Assembleia Nacional, o opositor afirma: “Sempre estive e continuarei disposto a reconhecer e acatar as decisões adotadas pelos órgãos de justiça no contexto da Constituição, incluindo a precipitada sentença da Sala Eleitoral, com a qual não concordo, mas acato”.
Rodríguez, em pronunciamento, afirmou que González entrou em contato por meio de interlocutores para negociar sua saída da Venezuela. O líder chavista mencionou conversas telefônicas e encontros pessoais com o opositor, alegando que este teria expressado o desejo de abandonar o país. Além disso, Rodríguez afirmou possuir gravações das conversas, ameaçando divulgar o conteúdo caso González não se retrate da alegação de coação.
Apesar das declarações de González de que o documento foi assinado sob pressão, a carta também continha um compromisso de que suas ações públicas no exterior seriam limitadas. Ele afirmou que não pretendia exercer nenhum tipo de representação formal ou informal de poderes públicos venezuelanos. O trecho foi utilizado por Rodríguez para criticar o contato de González com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Anthony Blinken, e com políticos espanhóis após sua chegada à Espanha.
González, por sua vez, reafirma que o documento não tem validade legal, já que foi assinado sob coerção, e que continuará defendendo os milhões de venezuelanos que votaram por uma mudança no país.
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