9/22/2024 01:30:00 PM

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo por “transformações estruturais” para enfrentar a crise de governança global, durante a abertura da Cúpula do Futuro da ONU neste domingo (22/09). O evento, que antecede a Assembleia Geral das Nações Unidas, foi palco para Lula criticar a atual ineficácia dos órgãos multilaterais e demandar mudanças profundas no sistema internacional.
Em seu discurso, Lula destacou a falta de autoridade e de mecanismos de implementação das decisões por parte dos principais órgãos internacionais. Segundo ele, “a Assembleia Geral perdeu sua vitalidade, e o Conselho Econômico e Social foi esvaziado”. Ele também criticou o Conselho de Segurança, dizendo que sua legitimidade está em declínio, especialmente quando o órgão aplica “duplos padrões” ou se omite diante de crises humanitárias.
Lula ressaltou que a pandemia, os conflitos internacionais, a corrida armamentista e as mudanças climáticas expuseram as limitações dos órgãos multilaterais. O presidente ainda defendeu que o Sul Global está sub-representado nas discussões, considerando o peso político que essas nações têm atualmente. Ele teve seu discurso interrompido ao ultrapassar o tempo limite de fala.
Reforma do Conselho de Segurança
A reforma do Conselho de Segurança da ONU é uma reivindicação antiga de Lula. Durante seus mandatos anteriores, ele já havia defendido a reestruturação do órgão e a inclusão do Brasil como membro permanente. Desde sua criação, o Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França –, que detêm poder de veto, e por dez membros rotativos.Lula questionou o desequilíbrio de poder no Conselho e criticou a falta de representatividade de países emergentes, como os do Sul Global, nos processos decisórios.
Agenda 2030 e o Pacto para o Futuro
Além de abordar a crise da governança global, Lula defendeu a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, descritos por ele como “o maior empreendimento diplomático dos últimos anos”. Entretanto, o presidente alertou que, devido à falta de ação concreta por parte da comunidade internacional, a Agenda corre o risco de se tornar “nosso maior fracasso coletivo”. Ele ressaltou que, no ritmo atual, apenas 17% das metas serão cumpridas até 2030.Durante a cúpula, foi aprovado o Pacto para o Futuro, um documento que visa coordenar reformas no sistema multilateral. Lula afirmou que o pacto aborda, de maneira inédita, temas essenciais como a dívida de países em desenvolvimento e a tributação internacional. Ele também destacou a criação de um fórum de diálogo entre chefes de Estado, líderes de instituições financeiras internacionais e a ONU, com o objetivo de recolocar a organização no centro do debate econômico global.
Apesar de elogiar os avanços promovidos pelo Pacto, Lula alertou que as mudanças propostas ainda carecem de ambição e ousadia suficientes para enfrentar os desafios atuais da governança global.
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