9/22/2024 05:21:00 PM

Especialistas envolvidos na investigação dos destroços do superiate Bayesian, que naufragou na Sicília em agosto, resultando na morte de sete pessoas, incluindo o empresário britânico Mike Lynch, estão pedindo medidas adicionais de segurança para proteger a embarcação. A principal preocupação é o possível interesse de governos estrangeiros em dados confidenciais armazenados em cofres a bordo do iate.
O incidente, que também vitimou a filha de Lynch, Hannah, de 18 anos, e outros cinco passageiros, é alvo de uma investigação criminal conduzida por promotores italianos. As autoridades investigam acusações de homicídio culposo e negligência no naufrágio. O iate Bayesian, de 56 metros, avaliado em US$ 40 milhões, pode conter informações sensíveis que poderiam estar relacionadas a serviços de inteligência ocidentais, segundo fontes próximas à investigação.
Lynch, que fundou a empresa de cibersegurança Darktrace, tinha vínculos estreitos com agências de inteligência do Reino Unido e dos EUA por meio de suas empresas. Além disso, ele atuou como consultor de primeiros-ministros britânicos em assuntos de cibersegurança e tecnologia. O iate, que está submerso a cerca de 50 metros de profundidade, abrigaria cofres estanques com discos rígidos criptografados que conteriam dados confidenciais, como senhas e outras informações sensíveis, aumentando as preocupações de que governos estrangeiros tentem acessar essas informações.
Inicialmente, o temor era que os destroços atraíssem ladrões em busca de objetos de valor, como joias. No entanto, as autoridades estão agora focadas em proteger os dados a bordo do iate de possíveis tentativas de espionagem, com a preocupação voltada para países como Rússia e China. Com isso, foram solicitadas medidas de segurança adicionais, tanto na superfície quanto nas operações subaquáticas.
As autoridades planejam içar o iate nas próximas semanas, como parte da investigação. Testemunhas relataram que Lynch não utilizava serviços de nuvem para armazenar seus dados, preferindo manter os discos rígidos guardados fisicamente a bordo.
O naufrágio ocorreu durante uma tempestade violenta, e os primeiros resultados das autópsias indicam que alguns passageiros, como os casais Jonathan e Judy Bloomer e Chris e Neda Morvillo, morreram por asfixia ao ficarem presos em uma bolha de ar em uma cabine. As causas das mortes de Mike Lynch e sua filha ainda não foram completamente esclarecidas. O chef de bordo, Recaldo Thomas, morreu afogado.
Entre os 15 sobreviventes estavam a esposa de Lynch, Angela Bacares, e o capitão James Cutfield, que está sendo investigado por homicídio culposo e negligência. Não foram realizados testes toxicológicos nos sobreviventes, já que todos estavam em estado de choque após o incidente.
A viagem estava sendo realizada como uma comemoração pessoal de Lynch, que havia sido recentemente absolvido em um caso de fraude nos Estados Unidos, relacionado à venda de sua empresa Autonomy para a Hewlett Packard. Embora tenha sido absolvido de acusações criminais, Lynch ainda enfrentava uma ação civil, com a Hewlett Packard buscando um ressarcimento de US$ 4 bilhões.
Outro fato trágico é a morte de Stephen Chamberlain, sócio de Lynch e réu no mesmo caso de fraude, no mesmo dia em que o iate afundou. Chamberlain foi atropelado dois dias antes e estava em coma quando o naufrágio ocorreu, sem ter conhecimento do acidente.
Até o momento, nenhum dos pertences pessoais de Lynch, como discos rígidos ou joias, foi recuperado do iate. Os investigadores estão analisando dados das câmeras de vigilância e do sistema de navegação para entender o que levou o iate a afundar 16 minutos após o início da tempestade.
A operação de resgate do iate, que ainda contém 18.000 litros de combustível, será complexa. Especialistas estão avaliando como içar a embarcação sem causar danos ambientais e garantir que os dados confidenciais a bordo não sejam comprometidos. De acordo com a legislação marítima italiana, os custos da operação serão cobertos por Angela Bacares, viúva de Lynch e proprietária do iate.
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