9/12/2024 01:36:00 PM

Durante um comício recente em Wisconsin, Donald Trump anunciou que pretende impor tarifas de 100% aos países que deixarem de usar o dólar americano. A proposta visa enfrentar o movimento de algumas nações, como China e Rússia, que têm demonstrado interesse em substituir o dólar por outras moedas nas transações internacionais. Segundo Trump, sua medida garantiria que “eles não deixarão o dólar comigo”.
Embora a promessa soe forte em meio à campanha, especialistas alertam que a aplicação de tarifas tão elevadas pode ter sérias consequências econômicas, especialmente para os próprios Estados Unidos. Maury Obstfeld, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que essas tarifas aumentariam os preços para os consumidores americanos, exacerbando a inflação. “Tarifas de 100% teriam um efeito severo sobre o preço dos bens que importamos desses países”, explicou.
Christine McDaniel, ex-funcionária de alto escalão no comércio durante a administração de George W. Bush, foi ainda mais enfática, classificando a ideia de Trump como “louca” e apenas uma retórica de campanha. Ela explicou que o ex-presidente provavelmente tem poder para impor tarifas unilateralmente, sem necessidade de aprovação do Congresso, usando mecanismos como a Seção 301 ou a Seção 232. No entanto, destacou que tais ações poderiam provocar uma recessão ao prejudicar o consumo interno.
A proposta de Trump, embora possa ser vista como uma ameaça estratégica para mudar o comportamento de outras nações, levanta dúvidas sobre seu impacto prático. Mesmo alguns economistas ligados à escola de negócios Wharton, onde Trump se formou, afirmam que a implementação dessas tarifas resultaria em uma alta considerável de preços. Kent Smetters, professor da Wharton, ressaltou que não há dúvida de que essas medidas inflacionariam a economia americana.
Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM, classificou a proposta como “radical” e comparou o possível impacto com o ocorrido no Reino Unido sob o governo de Liz Truss. Segundo Brusuelas, a aplicação dessas tarifas poderia gerar um “pânico nos mercados financeiros globais”, semelhante à reação que fez Truss renunciar após um breve e tumultuado mandato.
Ainda assim, alguns setores empresariais, como o de distribuição de calçados, já estão se preparando para o possível retorno de Trump e suas políticas tarifárias. Matt Priest, presidente da Footwear Distributors & Retailers of America, disse que o setor está se antecipando ao impacto de tais propostas.
O grande paradoxo da proposta de Trump é que, ao tentar proteger o dólar, ele pode acabar incentivando ainda mais países a buscarem alternativas à moeda americana. Maury Obstfeld alertou que “esse tipo de retórica é o caminho mais rápido para fazer com que os países deixem de usar o dólar”, minando a própria proposta do ex-presidente.
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