9/20/2024 05:24:00 PM

O Ministério Público da Venezuela anunciou na última quarta-feira (18/09) que solicitará uma ordem de prisão contra o presidente da Argentina, Javier Milei, além de sua irmã e secretária-geral, Karina Milei, e da ministra da Segurança, Patricia Bullrich. O pedido de prisão está relacionado à entrega de uma aeronave da companhia aérea venezuelana Emtrasur para os Estados Unidos. O Boeing 747 estava retido na Argentina por dois anos a pedido do governo norte-americano, que alegou que a aeronave tinha vínculos com a Guarda Revolucionária Iraniana, considerada uma “organização terrorista” pelos EUA.
A aeronave foi enviada à Flórida em fevereiro deste ano, após decisão da Justiça Federal argentina, onde acabou destruída. A Venezuela acusou tanto a Argentina quanto os Estados Unidos de realizarem um “roubo descarado” do avião e, como retaliação, proibiu o sobrevoo de aviões argentinos em seu espaço aéreo.
Em resposta ao anúncio do Ministério Público venezuelano, o governo argentino se manifestou de forma contundente. O porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni, desdenhou a ameaça, classificando-a como parte de um “show de má qualidade de uma ditadura em decadência que tanto prejudicou o povo venezuelano”. Além disso, a chancelaria argentina emitiu uma nota reafirmando que a entrega do avião foi uma decisão judicial, ressaltando a independência do Poder Judiciário na Argentina, algo que, segundo o governo argentino, não ocorre sob o regime de Nicolás Maduro.
A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Diana Mondino, também criticou a ação venezuelana, chamando o pedido de prisão de “covarde” e reafirmando o apoio a Milei, Karina Milei e Patricia Bullrich. “Maduro mais uma vez mostra que é um tirano, e nós estamos do lado certo da história. Não temos medo”, declarou Mondino em nota oficial.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, também se envolveu na polêmica ao provocar Javier Milei durante uma transmissão ao vivo de seu programa de TV. “Venha à Venezuela, Milei, dar uma volta. Vamos ver se é verdade que você é louco”, desafiou Cabello, em um tom de deboche. Ele ainda criticou a política econômica do presidente argentino e a repressão policial em protestos no país, ignorando as várias denúncias de repressão e mortes durante manifestações na Venezuela.
O anúncio do pedido de prisão ocorre em um momento de tensão crescente entre os dois países. Recentemente, a Argentina pediu a prisão de Nicolás Maduro no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade, o que ampliou o desgaste diplomático entre Buenos Aires e Caracas.
Essa troca de acusações entre os governos reforça o distanciamento político e ideológico entre os dois países, com a Venezuela defendendo o regime de Maduro, enquanto a Argentina, sob o governo de Milei, se alinha cada vez mais com os Estados Unidos em suas críticas ao governo venezuelano.
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