10/28/2024 05:59:00 PM

Durante um evento no Teatro B32, realizado nesta segunda-feira (28/10), em São Paulo, Francis Ford Coppola, aos 85 anos, promoveu seu novo filme, “Megalópolis – Uma Fábula”, e prestou uma homenagem ao cinema brasileiro. O diretor enfatizou a rica herança cinematográfica do país e relembrou sua convivência com Glauber Rocha, uma das figuras centrais do movimento Cinema Novo.
“Eu acredito que o Brasil possui uma herança muito rica no cinema”, declarou Coppola em uma conversa mediada pela crítica Isabela Boscov. O cineasta recordou momentos marcantes de sua amizade com Rocha, que, durante seu exílio, viveu em sua casa em São Francisco. “O Glauber chorou em meus braços, sem saber se um dia poderia voltar ao seu país. Como um diretor que amava tanto o seu país poderia correr esse risco?”, questionou ele, emocionado.
Coppola destacou a importância de filmes como “Cidade de Deus” e “Pixote” para a concepção de “Megalópolis”, revelando que essas obras inspiraram uma sequência do filme.
“Megalópolis” se passa na fictícia Nova Roma e explora um dilema entre a visão utópica de Cesar Catilina, interpretado por Adam Driver, e o pragmatismo de Franklyn Cicero, vivido por Giancarlo Esposito. O diretor mencionou que o personagem de Driver e seu projeto têm inspiração em Jaime Lerner, ex-governador do Paraná, e na cidade de Curitiba, que serviu como modelo para o conceito utópico em sua narrativa.
“Curitiba representa o protótipo do que fiz com ‘Megalópolis’”, afirmou Coppola, elogiando também as iniciativas de saneamento básico da cidade e sua excelência em coleta seletiva, que se deve ao trabalho de Lerner.
Com este novo filme, Coppola reafirma sua admiração pelo Brasil e sua influência no cinema mundial, destacando a importância de vozes como a de Glauber Rocha e a contribuição do cinema nacional para a arte cinematográfica.
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