11/29/2024 05:45:00 PM

Nesta sexta-feira (29), Richard Moore, chefe do Serviço Secreto de Inteligência do Reino Unido (MI6), acusou a Rússia de conduzir uma “campanha incrivelmente imprudente” de sabotagem em solo europeu. Segundo Moore, Moscou também intensifica sua retórica nuclear como forma de intimidar países que apoiam a Ucrânia em meio à guerra iniciada pela invasão russa em 2022.
Em um discurso realizado em Paris, Moore destacou que qualquer redução no apoio à Ucrânia encorajará o presidente russo, Vladimir Putin, e seus aliados, colocando em risco a segurança global. A declaração parece direcionada ao governo do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, e a aliados europeus que demonstraram hesitação quanto à continuidade do suporte a Kiev.
“O custo de apoiar a Ucrânia é bem conhecido, mas o custo de não fazê-lo seria incomensuravelmente maior. Se Putin for bem-sucedido, veremos consequências globais: a China tomará nota, a Coreia do Norte se sentirá incentivada, e o Irã se tornará ainda mais perigoso”, afirmou Moore.
Sabotagem e ameaças nucleares
Moore alertou que as ações hostis da Rússia, incluindo ciberataques e sabotagens, estão se intensificando. Em setembro, ele já havia descrito os serviços de inteligência russos como “selvagens”, citando incidentes recentes atribuídos a Moscou, embora a Rússia negue envolvimento. Na última semana, fontes de inteligência dos EUA indicaram que Moscou planeja intensificar seus ataques contra alvos europeus para aumentar a pressão sobre os países ocidentais.No mês passado, o chefe da espionagem doméstica do Reino Unido também acusou o serviço militar de inteligência russo (GRU) de buscar causar “caos” na Europa.
Apelo à solidariedade ocidental
Moore destacou a importância da unidade entre os aliados do Reino Unido e advertiu que Putin não deve ser subestimado. Ele afirmou que a crescente dependência da Rússia em relação à China, Coreia do Norte e Irã revela um isolamento que precisa ser enfrentado por meio da força coletiva do Ocidente.O chefe do MI6 também fez uma análise abrangente do cenário global, classificando-o como o mais perigoso em seus 37 anos de carreira na inteligência. Além das ameaças nucleares, ele mencionou o ressurgimento do Estado Islâmico, as ambições nucleares do Irã e os desdobramentos dos ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023 como fatores desestabilizadores.
“A segurança britânica, francesa, europeia e transatlântica está em risco se Putin transformar a Ucrânia em um Estado vassalo. Precisamos agir com firmeza agora, para evitar consequências maiores no futuro”, concluiu.
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