11/23/2024 01:29:00 PM

A União Europeia, os Estados Unidos e outras nações desenvolvidas concordaram em aumentar suas contribuições para o financiamento climático, comprometendo-se com uma meta de US$ 300 bilhões por ano até 2035. A informação foi revelada à Reuters neste sábado (23), durante as prolongadas negociações da COP 29, realizada em Baku, no Azerbaijão. A proposta busca ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar os impactos das mudanças climáticas, mas ainda enfrenta desconfiança.
Negociações difíceis
A cúpula, que deveria ter sido concluída na sexta-feira (22), continua enquanto representantes de quase 200 países tentam chegar a um consenso sobre o plano de financiamento climático para a próxima década. A proposta inicial de US$ 250 bilhões apresentada pela presidência do Azerbaijão foi amplamente rejeitada por países em desenvolvimento, que a classificaram como insuficiente.Fontes indicam que a nova meta de US$ 300 bilhões foi aprovada por líderes da União Europeia, Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, mas ainda não está claro se a proposta foi formalmente comunicada aos países em desenvolvimento. Segundo negociadores, o clima nas discussões continua tenso, marcado por frustrações e incertezas.
Ceticismo e desconfiança
Países em desenvolvimento, já sobrecarregados pelos impactos crescentes de desastres climáticos como tempestades, enchentes e secas, questionam as promessas feitas por nações ricas, especialmente após atrasos no cumprimento de metas anteriores. O compromisso de US$ 100 bilhões anuais, acordado em 2009 para ser alcançado até 2020, só foi cumprido em 2022 e expira em 2025. Esse histórico alimenta a desconfiança em relação às novas promessas.“Não há clareza sobre os próximos passos nem sobre a vontade política necessária para avançar”, afirmou Juan Carlos Monterrey Gomez, principal negociador do Panamá.
Divisões e incertezas
As divisões entre nações desenvolvidas, que alegam limitações orçamentárias, e os países em desenvolvimento, que demandam ações mais ambiciosas, ficaram evidentes ao longo da conferência. A delegação dos EUA e o Ministério da Energia do Reino Unido não se pronunciaram sobre a proposta. Da mesma forma, porta-vozes da Comissão Europeia e do governo australiano se recusaram a comentar.Abdulai Jiwon, ministro do Meio Ambiente de Serra Leoa, destacou que ainda estão em andamento negociações sobre o montante final. “Estamos trabalhando no número com outras partes”, declarou.
Com o prazo da conferência se alongando, a COP 29 se torna um reflexo das crescentes dificuldades em alinhar interesses globais para combater a crise climática. O consenso em torno do financiamento climático será crucial para definir o futuro das ações coletivas diante de um cenário cada vez mais desafiador.
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