12/25/2024 05:33:00 PM

Na terça-feira (24), um ataque aéreo de aeronaves militares paquistanesas na província de Paktika, no leste do Afeganistão, resultou na morte de pelo menos 46 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, de acordo com o governo afegão, controlado pelo Talibã. O porta-voz adjunto, Hamdullah Fitrat, informou também que seis pessoas ficaram feridas no bombardeio, que atingiu quatro locais na região.
O governo do Paquistão e suas autoridades militares ainda não se manifestaram sobre o incidente. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão convocou o chefe da missão paquistanesa em Cabul, entregando-lhe uma nota formal de protesto e alertando sobre as consequências de tais ações. Enayatullah Khowrazmi, porta-voz do Ministério da Defesa afegão, classificou o ataque como uma violação dos princípios internacionais e uma agressão direta, destacando que o Emirado Islâmico do Afeganistão não deixará o ocorrido impune.
Um oficial paquistanês, que pediu anonimato, disse à Reuters que o ataque visou um acampamento do grupo militante Talibã Paquistanês (TTP), que, embora compartilhe laços ideológicos com o Talibã afegão, não faz parte de seu governo. O TTP tem como objetivo estabelecer a lei islâmica no Paquistão, assim como o Talibã fez no Afeganistão. O ataque aéreo ocorreu após um ataque do TTP no Waziristão do Sul, no Paquistão, que matou 16 agentes de segurança no sábado.
O Ministério da Defesa do Afeganistão identificou muitas das vítimas do bombardeio como “refugiados Waziristani”, sugerindo que eram oriundas da região do Waziristão, no Paquistão. A relação entre os dois países tem sido tensa, com o Paquistão acusando o Afeganistão de abrigar grupos do TTP responsáveis por ataques em seu território, uma alegação que o Talibã afegão refuta.
A relação entre Afeganistão e Paquistão piorou ainda mais em março, quando o Talibã acusou o Paquistão de realizar dois ataques aéreos em seu território, matando cinco mulheres e crianças. O Paquistão, por sua vez, afirmou que suas operações no Afeganistão eram baseadas em informações de inteligência para combater o terrorismo, mas não especificou os detalhes dessas ações.
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