12/14/2024 06:17:00 PM

Em meio à disputa por influência no futuro político da Síria, diplomatas dos Estados Unidos, Turquia, União Europeia e países árabes chegaram a um consenso neste sábado (14) sobre a necessidade de que o novo governo sírio respeite os direitos das minorias. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado americano, Antony Blinken, após reuniões realizadas em Aqaba, na Jordânia.
Blinken afirmou que o grupo adotou um comunicado conjunto que exige um governo inclusivo e representativo, comprometido com os direitos das minorias e que não sirva de base para grupos terroristas. “O acordo de hoje envia uma mensagem clara à nova autoridade interina e a todos os envolvidos na Síria sobre os princípios essenciais para garantir apoio e reconhecimento internacional”, declarou.
Cenário pós-Assad
A reunião ocorre uma semana após o presidente sírio Bashar al-Assad ser forçado a fugir do país, abrindo espaço para uma transição política ainda incerta. Representantes sírios não participaram das discussões, enquanto aliados históricos de Assad, como Rússia e Irã, ficaram de fora do encontro.Além de Blinken, participaram da reunião o enviado especial da ONU para a Síria, Geir Pederson, a chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, e chanceleres de países árabes como Arábia Saudita, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos. Diplomatas árabes emitiram um comunicado pedindo uma transição pacífica, com eleições e uma nova constituição que garanta unidade territorial.
Interesses em conflito
Os Estados Unidos e a Turquia enfrentam desafios para alinhar interesses na Síria. Enquanto Ancara apoia grupos rebeldes no norte do país, Washington mantém sua aliança com as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por curdos. As FDS têm sido essenciais no combate ao Estado Islâmico (EI) e controlam áreas estratégicas, incluindo campos de petróleo.Ancara, no entanto, considera a principal milícia das FDS, o YPG, como uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), classificado como terrorista pela Turquia. Durante a reunião, Blinken reforçou a necessidade de impedir o reagrupamento do EI e proteger os campos de petróleo, enquanto o chanceler turco Hakan Fidan reafirmou o objetivo estratégico de eliminar o YPG.
Desaparecimentos e contatos com rebeldes
Blinken também revelou que os Estados Unidos agora mantêm “contato direto” com o grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e pediu cooperação para localizar o jornalista americano Austin Tice, desaparecido na Síria desde 2012.O futuro da Síria permanece incerto, mas as negociações ressaltam a pressão internacional para que o novo governo seja inclusivo, respeite direitos e traga estabilidade ao país após mais de uma década de guerra civil.
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