12/12/2024 05:49:00 PM

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com as “recentes e extensas violações da soberania e integridade territorial da Síria”, segundo afirmou o porta-voz da organização, Stephane Dujarric, nesta quinta-feira (12).
Dujarric destacou que Guterres está particularmente alarmado com os repetidos ataques aéreos israelenses em diversas localidades do território sírio. Ele enfatizou a urgência em reduzir a violência no país. “Neste período de rápidas mudanças, o secretário-geral ressalta que, enquanto se busca manter a ordem pública, é essencial apoiar arranjos transitórios que sejam confiáveis, ordeiros e inclusivos na Síria”, declarou o porta-voz.
De acordo com Israel, os ataques têm como alvo baterias antiaéreas, bases militares, instalações de produção de armas e equipamentos como aviões de combate e mísseis.
O cenário do conflito sírio
A crise na Síria atingiu um novo ponto de inflexão em 8 de dezembro, quando o regime da família Assad, que estava no poder há 50 anos, foi derrubado. Grupos rebeldes tomaram a capital Damasco, forçando o presidente Bashar al-Assad a fugir para Moscou, onde recebeu asilo político, segundo fontes russas.O conflito sírio teve início em 2011, durante a Primavera Árabe, quando protestos pró-democracia foram violentamente reprimidos pelo regime de Assad. Em resposta, formou-se o Exército Sírio Livre, um grupo rebelde que passou a combater as forças governamentais.
Paralelamente, o grupo terrorista Estado Islâmico se fortaleceu na região e chegou a controlar até 70% do território sírio em seu auge.
A guerra se intensificou com a participação de potências regionais e internacionais, como Arábia Saudita, Irã, Estados Unidos e Rússia, transformando o conflito em uma guerra por procuração. A Rússia apoiou Assad em combates contra rebeldes e o Estado Islâmico, enquanto os EUA lideraram uma coalizão para enfrentar o grupo extremista.
Apesar de um cessar-fogo firmado em 2020, a situação na Síria permaneceu tensa, com confrontos esporádicos entre rebeldes e forças do regime. Segundo a ONU, mais de 300 mil civis morreram ao longo de mais de uma década de guerra, e milhões foram deslocados, gerando uma grave crise humanitária na região.
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