12/22/2024 06:58:00 PM

As barracas de vinho, decoradas com luzes de Natal e enfeites, permanecem vazias e fechadas no mercado de Natal de Magdeburgo. No local, a polícia alemã está em vigilância, enquanto equipes investigam a cena do crime e limpam as manchas de sangue da estrada. O ataque ocorrido na noite de sexta-feira (20) deixou pelo menos cinco mortos, incluindo uma criança de 9 anos, e causou um grande choque na cidade alemã.
Na entrada do mercado, moradores locais acenderam velas e deixaram flores em homenagem às vítimas, refletindo uma sensação de perda profunda. Corinna Pagels, psicóloga de emergência, relatou o sofrimento das pessoas, com muitos à procura de entes queridos, em estado de choque e desespero. “Muitas lágrimas, perplexidade e sofrimento extremo”, disse ela.
O ataque reviveu as lembranças do atentado em 2016 em Berlim, quando mais de 12 pessoas morreram em um mercado de Natal, quando um tunisiano radicalizado atacou a multidão com um caminhão. Essa tragédia gerou uma onda de desconfiança em relação ao influxo de imigrantes muçulmanos na Alemanha.
Desta vez, o suspeito do ataque é Taleb Al Abdulmohsen, de 50 anos, nascido na Arábia Saudita e residente na Alemanha desde 2006, onde trabalhava como psiquiatra. Conhecido por suas opiniões anti-Islã, Abdulmohsen se descreveu em 2019 como um dos maiores críticos do Islã na história. Em suas redes sociais, ele expressou apoio ao partido de extrema-direita AfD e frequentemente manifestava suas frustrações com a política de imigração da Alemanha e as relações do país com a Arábia Saudita.
Abdulmohsen também fez ameaças, como a declaração de agosto, em que disse: “Se a Alemanha quer nos matar, nós os mataremos, morreremos ou iremos para a prisão com orgulho.” Seu discurso de ódio contra o Islã foi uma constante em suas declarações.
Para muitos moradores de Magdeburgo, o fato de o suspeito não se encaixar no perfil usual de segurança não altera o impacto do ataque. “Nossos políticos são responsáveis por isso”, afirmou Barbara, moradora local, enquanto prestava homenagem às vítimas. Tom, outro residente, disse: “Agora é hora de fechar nossas fronteiras.”
O ataque gerou reações intensas de políticos de diferentes espectros. Sahra Wagenknecht, líder do partido de extrema-esquerda, questionou o ministro do Interior sobre o motivo de tantos avisos não terem sido levados em consideração. Por outro lado, a extrema-direita AfD, que tem ganhado força na Alemanha, convocou uma manifestação em Magdeburgo e exigiu uma sessão especial no parlamento para discutir questões de segurança.
Apesar de o suspeito ser um islamófobo, o ataque intensificou o clima anti-imigração no país, exacerbando o debate sobre segurança e política migratória na Alemanha.
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