12/20/2024 06:32:00 PM

O procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, anunciou na segunda-feira (16) a libertação de mais 200 pessoas detidas durante os protestos que ocorreram após as eleições presidenciais de 28 de julho. Segundo Saab, o número total de pessoas soltas chega a 533, enquanto mais de 2 mil foram presas por participar das manifestações contra os resultados eleitorais.
Organizações de direitos humanos, no entanto, afirmam que apenas algumas dessas libertações foram confirmadas e denunciam a morte de pelo menos três manifestantes sob custódia.
Resultados contestados e crise política
As eleições presidenciais, cujo resultado oficial declarou Nicolás Maduro vencedor com mais de 50% dos votos, são amplamente contestadas pela oposição e pela comunidade internacional. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não apresentou as atas eleitorais detalhando os votos por mesa, o que aumenta as suspeitas de fraude.A oposição, por sua vez, divulgou atas que teriam sido obtidas por seus fiscais de mesa, indicando uma vitória expressiva do candidato opositor Edmundo González, com cerca de 70% dos votos. González é aliado da opositora María Corina Machado, que foi impedida de concorrer.
O chavismo, entretanto, acusa a oposição de falsificar 80% das atas divulgadas, mas também não apresentou evidências para comprovar a legitimidade dos resultados oficiais.
Perseguição e repressão
Em meio à crise, o Ministério Público da Venezuela iniciou uma investigação contra Edmundo González, acusando-o de usurpar funções do poder eleitoral ao publicar as atas que contestam os resultados. Intimado a depor três vezes, González fugiu para a Espanha em setembro após a emissão de um mandado de prisão contra ele.Desde o início do processo eleitoral, a repressão a opositores se intensificou. Após o pleito, organizações de direitos humanos relatam que pelo menos 2.400 pessoas foram detidas e 24 perderam a vida em decorrência da violência política.
A libertação de prisioneiros é vista como uma tentativa do governo de aliviar a pressão internacional e buscar um clima de aparente reconciliação. No entanto, muitos analistas consideram que a crise política na Venezuela está longe de ser resolvida.
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