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Edmundo González visitará Milei mesmo com recompensa oferecida pelo governo venezuelano


O ex-candidato à presidência da Venezuela, Edmundo González, desembarca em Buenos Aires nesta sexta-feira (3) para um encontro com o presidente argentino Javier Milei, agendado para a manhã de sábado (4). A visita marca o início de uma série de viagens de González pela América Latina. “Primeira parada: Argentina”, declarou o opositor em uma publicação na rede social X.

A viagem, confirmada por fontes de ambos os países, ocorre em um contexto de alta tensão. Na quinta-feira (2), o governo chavista anunciou uma recompensa de 100 mil dólares por informações que levem ao paradeiro de González. O anúncio foi feito pelo Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas da Venezuela (CICPC), que afirma que o opositor é procurado por crimes como conspiração, usurpação de funções e instigação à desobediência das leis.

Desde que se exilou na Espanha em setembro, essa será a primeira vez que González retorna ao continente sul-americano. A ordem de prisão contra ele foi expedida após a publicação de um site contendo atas eleitorais, que, segundo sua campanha, comprovam uma vitória da oposição nas eleições presidenciais de julho. O poder eleitoral venezuelano e o Tribunal Supremo de Justiça, entretanto, reconhecem Nicolás Maduro como vencedor do pleito, cuja apuração detalhada nunca foi divulgada.

Enquanto Maduro planeja assumir seu terceiro mandato em 10 de janeiro, a oposição insiste que González deve ser empossado como legítimo presidente da Venezuela.

A visita de González a Buenos Aires provocou mobilização entre a comunidade venezuelana local, que foi convocada pela oposição para recebê-lo em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino. A relação entre Argentina e Venezuela se deteriorou desde que Milei classificou o governo chavista como uma “ditadura”. Em resposta, diplomatas argentinos foram expulsos de Caracas, levando o Brasil a assumir a representação dos interesses argentinos no território venezuelano.

Outro episódio que agravou as tensões foi a prisão de um suboficial da Gendarmeria argentina na Venezuela, acusado pelo governo chavista de estar em missão contra o regime. Milei, por sua vez, qualificou a detenção como um sequestro e exigiu a libertação do agente.

A chegada de González à Argentina ocorre em um momento delicado e pode intensificar ainda mais as divergências diplomáticas entre Buenos Aires e Caracas.

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