1/03/2025 01:22:00 PM

Familiares de Shamsud-Din Jabbar, apontado como responsável pelo atropelamento que tirou a vida de 14 pessoas na Bourbon Street, em Nova Orleans, se mostraram perplexos diante da tragédia. Em depoimentos emocionados, eles afirmaram que o comportamento violento não condiz com a pessoa que conheciam.
“Ele era uma pessoa alegre, calma, gentil e tranquila”, afirmou Abdur Jabbar, de 24 anos, irmão do suspeito. “Por isso é tão difícil acreditar que ele tenha feito algo desse tipo.” Tanto Abdur quanto o pai, Rahim, de 65 anos, asseguraram que nunca perceberam sinais de radicalização ou qualquer indício de que Shamsud-Din pudesse cometer um ato tão extremo.
“Algo aconteceu com ele, ele não era esse tipo de pessoa”, insistiu Abdur. “A mente dele foi confundida por alguém ou alguma coisa.”
Rahim reforçou o sentimento de incredulidade ao comentar o caso. “Isso nos intriga, ele não demonstrava nenhum problema aparente”, relatou. Segundo o pai, a família está abalada e tenta entender o que levou Shamsud-Din a tomar essa atitude. “Se soubéssemos de algo, teríamos feito tudo para impedir”, lamentou.
O momento da descoberta
Abdur relatou que soube do envolvimento do irmão quando retornou do trabalho, na madrugada de quarta-feira (1º). Ao receber a ligação de um parente, acreditou que havia um engano. Porém, ao ver o rosto de Shamsud-Din nos noticiários, não teve mais dúvidas. “Foi um choque enorme descobrir que alguém tão próximo a mim causou uma tragédia dessa magnitude”, desabafou. “Lamento profundamente por todas as vítimas e por quem presenciou essa cena.”Trajetória e comportamento do suspeito
De acordo com Abdur, Shamsud-Din, que tinha três filhos e duas ex-esposas, nunca deu sinais de estar enfrentando dificuldades financeiras ou emocionais. Embora não fossem tão próximos durante a infância, por conta da diferença de idade, os irmãos fortaleceram a relação após o pai sofrer um derrame, em agosto de 2023. Desde então, conversavam quase diariamente, e o irmão mais velho era uma fonte de conselhos e apoio.Abdur destacou que o comportamento de Shamsud-Din sempre foi alinhado com os valores que a família seguia. “Fomos criados como muçulmanos e frequentávamos a mesquita regularmente. Ele nunca falou sobre extremismo ou qualquer coisa relacionada ao Estado Islâmico”, garantiu. Segundo ele, o irmão era um exemplo de bondade e respeito. “Pelo tempo que convivemos mais de perto, ele demonstrava compaixão e tratava todos de forma correta.”
Rahim, por sua vez, lamentou profundamente não ter tido a oportunidade de intervir. “Se ele tivesse nos dado qualquer pista, teríamos tentado impedi-lo. Nunca imaginaríamos que isso pudesse acontecer.”
Um sentimento ambíguo
Apesar da dor causada pelo ato de Shamsud-Din, Abdur ainda preserva a imagem do irmão como alguém bondoso. “Não estou justificando o que ele fez, foi um erro terrível”, declarou. “Mas há uma diferença entre o ato que ele cometeu e a pessoa que ele era para mim: um irmão gentil e compassivo.”A família agora busca respostas para entender o que levou Shamsud-Din a esse caminho, ao mesmo tempo em que expressa solidariedade às vítimas e seus entes queridos.
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