1/17/2025 08:01:00 PM

A Justiça da Bolívia determinou a prisão do ex-presidente Evo Morales nesta sexta-feira (17) após ele não comparecer a uma nova audiência relacionada à acusação de tráfico de pessoas. A decisão foi anunciada pelo juiz Nelson Alberto Rocabado e confirmada pela Agência Boliviana de Informação (ABI).
Morales é acusado de envolvimento em tráfico humano agravado e de manter relações íntimas com uma adolescente em 2015, enquanto ocupava a presidência do país. O ex-líder boliviano nega as acusações e as classifica como parte de uma “guerra suja” para inviabilizar sua possível candidatura nas eleições de 2025.
Mandado de prisão e congelamento de bens
A ausência de Morales na audiência em Tarija nesta sexta-feira foi a segunda da semana. Na terça-feira (14), ele também não compareceu, alegando problemas de saúde. O juiz Rocabado, no entanto, rejeitou os atestados médicos apresentados como justificativa, considerando-os insuficientes para justificar as faltas.Com isso, foi emitida uma ordem de prisão contra Morales, além do congelamento de suas contas bancárias e o bloqueio de bens. “Os documentos médicos apresentados não configuram um impedimento legítimo para sua ausência”, afirmou o magistrado.
O advogado de Morales, Jorge Pérez, esteve presente na audiência e argumentou que o ex-presidente nunca foi devidamente notificado, o que tornaria as decisões judiciais “ilegais”.
Acusações e histórico do caso
As denúncias contra Morales incluem suspeitas de tráfico de pessoas e uma relação com uma menor de idade em 2015. O caso foi aberto em 2024, mas o ex-presidente já havia faltado a outras convocações judiciais, inclusive em outubro daquele ano.Além das acusações contra Morales, a mãe da jovem supostamente envolvida também foi chamada a depor, mas não compareceu.
Na terça-feira, a promotora Sandra Gutiérrez anunciou que o ex-presidente deveria passar por uma avaliação médica, cujo resultado seria apresentado em até 48 horas. Ela também advertiu que uma nova ausência resultaria na emissão de um mandado de prisão, como ocorreu nesta sexta-feira.
Morales, que presidiu a Bolívia entre 2006 e 2019, continua a rejeitar as acusações e afirma que o processo é politicamente motivado.
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