2/27/2025 01:48:00 PM

Pelo menos 11 pessoas morreram e 65 ficaram feridas após explosões atingirem um comício organizado pelo grupo rebelde M23 na cidade de Bukavu, no leste da República Democrática do Congo (RDC), nesta quinta-feira (27). O líder da aliança rebelde, Corneille Nangaa, responsabilizou o presidente congolês, Felix Tshisekedi, pelo ataque.
O governo da RDC, que acusa Ruanda de apoiar os insurgentes, afirmou em uma publicação na rede social X que houve “várias” mortes, atribuindo a violência a um “exército estrangeiro ilegalmente presente em solo congolês”. No entanto, nenhuma das partes apresentou provas para sustentar suas alegações.
Em entrevista coletiva, Nangaa afirmou que as granadas usadas no ataque eram do mesmo tipo utilizado pelo exército do Burundi no Congo. A Reuters não conseguiu verificar essa informação de forma independente. O porta-voz militar do Burundi, Brigadeiro-General Gaspard Baratuza, negou a presença de soldados burundineses em Bukavu, mas não comentou sobre a origem das granadas.
Avanço rebelde e temor de guerra regional
O M23 tem ampliado seu controle sobre o leste da RDC desde o início do ano, conquistando cidades estratégicas como Goma e Bukavu. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram cenas de pânico, com pessoas fugindo, algumas feridas e outras carregando corpos.Uma fonte médica informou que 65 feridos estavam sendo atendidos no hospital geral de Bukavu. Nangaa afirmou que não ficou ferido no ataque e que outros líderes do grupo rebelde estão em segurança.
A crise na região tem gerado preocupação internacional, com Congo, ONU e potências ocidentais acusando Ruanda de apoiar o M23 — algo que o governo ruandês nega. Ruanda, por sua vez, afirma que apenas se protege contra ameaças da milícia hutu Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), que supostamente atua ao lado do exército congolês.
O que é o M23?
O nome M23 faz referência ao acordo de 23 de março de 2009, que pôs fim a uma revolta liderada por tutsis no leste do Congo. O grupo, que é formado majoritariamente por tutsis congoleses e tem sido associado a Ruanda, voltou a ganhar força nos últimos anos.O M23 alega que o governo congolês não cumpriu o acordo de paz, que previa a reintegração dos tutsis congoleses ao exército e ao governo. Além disso, o grupo afirma atuar em defesa da população tutsi contra milícias hutus, como a FDLR, formada por hutus que fugiram de Ruanda após o genocídio de 1994.
A escalada da violência na região levanta preocupações sobre um possível conflito regional, que poderia envolver países vizinhos e aprofundar a instabilidade no leste do Congo.
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