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Bombardeios de Israel em Gaza matam pelo menos 20 pessoas e reacendem temor de escalada no conflito


Pelo menos 20 palestinos foram mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (19), segundo autoridades de saúde locais. O aumento na intensidade dos bombardeios ocorre após o exército de Israel retomar suas operações militares na região e emitir novas ordens para que moradores deixem áreas consideradas zonas de combate.

Entre as vítimas está um estrangeiro que morreu após um ataque aéreo atingir a área onde funciona a sede das Nações Unidas, no centro da Cidade de Gaza. Outros quatro ficaram feridos, informou o Ministério da Saúde de Gaza. O exército israelense negou ter atingido o complexo da ONU em Deir al-Balah e afirmou que seus ataques foram direcionados a um ponto estratégico do Hamas no norte do território, onde, segundo militares israelenses, havia preparativos para lançar foguetes contra Israel.

Os ataques de terça-feira (18) já haviam causado a morte de mais de 400 pessoas, de acordo com fontes palestinas, marcando um dos dias mais letais desde o início do conflito. Após semanas de relativa calma, desde a trégua estabelecida em janeiro, Israel declarou que essa nova ofensiva é “apenas o começo”.

Israel e o Hamas trocam acusações sobre a violação do cessar-fogo. O governo israelense afirma que o grupo palestino utiliza civis como escudos humanos para proteger suas operações militares — uma acusação que o Hamas nega, rebatendo que Israel conduz bombardeios indiscriminados sobre áreas civis.

Nesta quarta-feira (19), ataques aéreos atingiram casas na Cidade de Gaza e em Beit Hanoun, no norte do enclave. Autoridades médicas relataram que três pessoas morreram em uma residência na Cidade de Gaza, enquanto em Beit Hanoun dois homens foram mortos e outros seis ficaram feridos. Outro bombardeio, dessa vez de tanques israelenses na estrada de Salahdeen, matou um palestino e feriu outros, segundo médicos locais. Já na cidade de Beit Lahiya, três pessoas perderam a vida em mais um ataque aéreo.

O conflito se intensificou após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel e outras 250 feitas reféns. Desde então, a campanha militar israelense na Faixa de Gaza já resultou em mais de 49 mil mortes, segundo dados das autoridades de saúde palestinas. A guerra agravou a crise humanitária no enclave, com falta generalizada de alimentos, água potável e combustível.

A decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de retomar os bombardeios provocou protestos dentro de Israel. Familiares de reféns ainda mantidos em Gaza — estima-se que 59 ainda estejam sob custódia do Hamas, dos quais 24 estariam vivos — acusam o governo de colocar objetivos políticos à frente da segurança dos cativos.

Panfletos lançados pelo exército israelense em áreas do norte e sul de Gaza alertaram os moradores para que evacuem imediatamente. “Ficar nos abrigos ou nas tendas onde estão pode colocar em risco suas vidas e as de seus familiares”, dizia o comunicado.

Segundo Netanyahu, os ataques foram ordenados após o Hamas rejeitar propostas de extensão do cessar-fogo até abril. Por outro lado, o Hamas acusa Israel de sabotar as negociações mediadas por outros países em busca de um acordo definitivo para pôr fim ao conflito.

A pressão internacional também aumenta. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou ter transmitido ao chanceler israelense, Gideon Saar, que a situação em Gaza é “inaceitável”. Já o rei Abdullah II da Jordânia, durante visita a Paris, pediu a restauração imediata do cessar-fogo e a retomada do envio de ajuda humanitária. “A retomada dos ataques é um passo extremamente perigoso, que agrava ainda mais uma situação já terrível”, declarou ele ao lado do presidente francês Emmanuel Macron.

O cenário também coloca em risco o plano das nações árabes para a reconstrução de Gaza, elaborado como alternativa à proposta anterior do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que sugeria reassentar palestinos e transformar o território em um polo turístico no Oriente Médio. Até agora, o plano não conseguiu avançar.

Israel, apoiado por potências ocidentais, insiste que o Hamas não deve ter qualquer papel no futuro de Gaza após a guerra. Apesar dos ataques israelenses, o grupo islâmico palestino ainda mantém o controle do enclave.

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