3/25/2025 12:59:00 PM

As regiões costeiras ocidentais do Iêmen estão à beira de uma grave crise humanitária devido à desnutrição, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta terça-feira (25).
Segundo Peter Hawkins, representante da agência, algumas áreas, especialmente na costa oeste, como Hodeidah, registram índices alarmantes de desnutrição severa e aguda, chegando a 33%. “Estamos à beira de uma catástrofe. Milhares podem morrer”, afirmou ele a repórteres em Genebra, durante uma videoconferência a partir de Sanaa.
A crise é agravada pelos cortes na ajuda humanitária por parte dos Estados Unidos e outros doadores, além de falhas na distribuição de alimentos em 2024. Dados do Unicef indicam que uma em cada duas crianças com menos de cinco anos sofre de desnutrição, enquanto 1,4 milhão de mulheres grávidas e lactantes enfrentam a mesma condição.
Hawkins destacou que essa situação é consequência direta da ação humana. “Mais de uma década de conflito destruiu a economia, a infraestrutura e o sistema de saúde do Iêmen. Mais da metade da população depende de ajuda humanitária”, alertou.
A organização Médicos Sem Fronteiras também chamou atenção para o agravamento da crise nutricional no país, ressaltando que as necessidades estão superando a capacidade de atendimento. Com a queda no financiamento, a entidade apelou por um reforço urgente da ajuda internacional.
O Unicef busca arrecadar US$ 157 milhões para 2025, mas, até o momento, apenas 25% desse montante foi garantido. A situação se complica ainda mais com a política do governo dos EUA. Desde sua posse, em 20 de janeiro, o presidente Donald Trump suspendeu temporariamente os programas da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) por 90 dias, enquanto reavalia sua política externa sob o princípio de “América em primeiro lugar”.
Com a continuidade do conflito e a redução da ajuda, o Iêmen segue mergulhado em uma crise humanitária sem precedentes, com milhões de vidas em risco.
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