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Japonês que passou mais de 40 anos no corredor da morte é absolvido e recebe US$ 1,4 milhão


Iwao Hakamata, um japonês de 89 anos que passou mais de quatro décadas no corredor da morte antes de ser absolvido, recebeu uma indenização de US$ 1,4 milhão, anunciou o Tribunal Distrital de Shizuoka nesta terça-feira (25). O valor equivale a cerca de US$ 85 por cada dia em que esteve injustamente preso.

Hakamata foi condenado à morte em 1968 pelo assassinato de quatro pessoas, apesar de sempre ter afirmado ser inocente. Durante o julgamento, ele alegou que a polícia forjou provas contra ele e que sua confissão foi obtida sob tortura. Décadas depois, testes de DNA comprovaram que as roupas ensanguentadas usadas como evidência não pertenciam a ele, levando à sua libertação em 2014 e, posteriormente, à sua absolvição definitiva em 2023.

O caso gerou indignação internacional e levantou críticas ao sistema de justiça criminal japonês, que possui uma taxa de condenação de 99%. Especialistas e defensores dos direitos humanos apontam que o processo de Hakamata expôs falhas graves no uso da pena de morte no país.

Apesar da indenização, seu advogado, Hideyo Ogawa, afirmou que nenhum valor pode reparar os danos causados por décadas de prisão injusta. A irmã do ex-boxeador, Hideko Hakamata, que lutou anos por sua libertação, relatou que ele sofre de graves sequelas psicológicas devido ao longo período de isolamento.

A história de Hakamata reforça os apelos para uma reforma judicial no Japão e o fim da pena de morte, especialmente em casos com evidências frágeis ou confissões forçadas.

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