3/02/2025 06:54:00 PM

A relação entre os aliados do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enfrenta um momento crítico. Assessores e congressistas próximos a Trump vêm pressionando Zelensky a mudar sua postura em relação à guerra contra a Rússia ou até mesmo a deixar o cargo, elevando ainda mais a tensão entre Washington e Kiev.
Enquanto isso, líderes europeus demonstraram apoio ao presidente ucraniano durante um encontro em Londres neste domingo (2). O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pediu aos demais líderes que intensificassem seus esforços na defesa da Ucrânia, apenas dois dias após um tenso encontro entre Trump, o vice-presidente JD Vance e Zelensky no Salão Oval. A reunião na Casa Branca terminou de forma abrupta, com o líder ucraniano deixando o local sem assinar um acordo planejado sobre minerais estratégicos.
A situação gerou repercussão global e levantou dúvidas sobre o futuro da guerra, iniciada há três anos com a invasão russa, e sobre os esforços de Trump para encontrar uma solução para o conflito.
Trump quer concessões territoriais em troca de paz
Durante a reunião, Zelensky enfatizou que o presidente russo, Vladimir Putin, não cumpriu um acordo de cessar-fogo firmado em 2019 e o classificou como um “assassino” e “terrorista”. No entanto, para o governo Trump, a resistência de Kiev às negociações de paz levanta questionamentos.O conselheiro de segurança nacional de Trump, Mike Waltz, afirmou que não há clareza sobre a disposição de Zelensky para negociar o fim da guerra. Ele ressaltou que o objetivo da administração Trump é garantir uma paz duradoura entre Moscou e Kiev, possivelmente por meio de concessões territoriais em troca de garantias de segurança lideradas por países europeus.
Quando questionado se Trump deseja a renúncia de Zelensky, Waltz declarou ao programa “State of the Union”:
— Precisamos de um líder que possa lidar conosco, lidar com os russos e encerrar esta guerra.
O senador republicano Lindsey Graham, aliado de Trump e defensor do apoio à Ucrânia, também expressou dúvidas sobre a viabilidade de seguir trabalhando com Zelensky após o episódio na Casa Branca. Em entrevista na sexta-feira (28), ele sugeriu que os EUA precisam reavaliar sua relação com o governo ucraniano.
Republicanos indicam insatisfação com Zelensky
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, reforçou no domingo a necessidade de uma mudança na liderança ucraniana ou uma alteração na postura de Zelensky em relação às negociações.— Algo precisa mudar. Ou ele precisa reconhecer a situação e voltar à mesa com gratidão, ou outra pessoa precisa assumir o país para fazer isso — afirmou Johnson ao programa “Meet the Press”, da NBC.
Apesar das críticas, Johnson destacou que seu desejo é ver Putin derrotado, mas enfatizou que os esforços devem se concentrar no encerramento do conflito.
Democratas reagem e criticam Trump
A sugestão de que Zelensky deveria deixar o cargo gerou forte reação de políticos democratas. O senador Bernie Sanders classificou a ideia como “horrível”, destacando que o presidente ucraniano está lutando para proteger a democracia contra a agressão russa.O senador Chris Murphy foi ainda mais enfático e acusou a administração Trump de se alinhar mais com a Rússia do que com as democracias ocidentais.
— É absolutamente vergonhoso o que está acontecendo agora. A Casa Branca se tornou um braço do Kremlin — declarou Murphy, também ao “State of the Union”.
Para ele, o encontro no Salão Oval foi uma tentativa de pressionar a Ucrânia a aceitar um acordo que beneficiaria Moscou.
Mike Waltz rebateu as críticas e negou que a reunião tenha sido uma armadilha para Zelensky. Ele reiterou que o governo Trump está disposto a retomar as negociações com Kiev assim que houver disposição para um acordo de paz.
O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou essa posição no programa “This Week”, da ABC, e minimizou a gravidade do encontro na Casa Branca. Ele argumentou que, para chegar a um acordo, é necessário que ambas as partes estejam abertas ao diálogo.
— Você não vai trazer os russos para a mesa se continuar os antagonizando — disse Rubio.
Por outro lado, a senadora democrata Amy Klobuchar afirmou estar “chocada” com a forma como Zelensky foi tratado durante sua visita a Washington e ressaltou que ainda existe espaço para um acordo de paz sem que a Ucrânia precise ceder territórios.
A crise entre os aliados de Trump e Zelensky adiciona uma nova camada de incerteza ao futuro do conflito e ao papel dos Estados Unidos na busca por uma solução. Enquanto isso, a Europa reforça seu apoio ao governo ucraniano, aumentando a pressão sobre Washington para definir sua posição.
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