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ONU pede união global após terremoto devastador em Mianmar, enquanto militares restringem ajuda


A Organização das Nações Unidas fez neste sábado (5) um apelo por solidariedade internacional diante do pior desastre natural já registrado em Mianmar. O terremoto que atingiu o país asiático deixou ao menos 3.354 mortos, mais de 4.800 feridos e cerca de 220 desaparecidos, segundo a imprensa local.

O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, visitou a cidade de Mandalay — uma das mais afetadas — e classificou a destruição como “impressionante”. “Vidas, lares e meios de subsistência foram destruídos, mas a resiliência do povo é incrível”, declarou em publicação nas redes sociais. “O mundo precisa se unir ao lado de Mianmar.”

Nações vizinhas como China, Índia e outros países do Sudeste Asiático já enviaram suprimentos e equipes de resgate para apoiar os esforços humanitários. Estima-se que mais de 28 milhões de pessoas vivam nas áreas atingidas pelo tremor.

Os Estados Unidos anunciaram uma doação inicial de US$ 9 milhões para ajudar comunidades afetadas. No entanto, o apoio vem em meio a cortes internos: três funcionários da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) foram informados sobre demissões iminentes mesmo estando no país em missão. A ex-diretora Marcia Wong, ouvida pela Reuters, chamou a situação de “desmoralizante”.

Além do drama humanitário, a ONU também denuncia obstáculos à ajuda. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que a junta militar de Mianmar tem restringido o acesso de socorristas a regiões devastadas onde a população é contrária ao regime.

A situação se agrava com relatos de ataques militares. Desde que o governo militar declarou um cessar-fogo na quarta-feira (3), já foram registradas pelo menos 16 ofensivas — incluindo bombardeios em áreas civis nos estados de Karenni e Shan do Sul. O grupo de ajuda Free Burma Rangers estima que cinco civis tenham morrido. A junta militar não respondeu aos pedidos de esclarecimento da imprensa.

Apesar do caos, o regime mantém planos eleitorais. Durante uma reunião com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Bangkok, o general Min Aung Hlaing garantiu que realizará eleições “livres e justas” em dezembro. Modi, por sua vez, cobrou que o cessar-fogo se torne permanente e que as eleições sejam “inclusivas e confiáveis”.

O plano, no entanto, tem sido duramente criticado por opositores, que classificam a proposta como uma tentativa dos militares de legitimar sua permanência no poder. Desde o golpe de 2021, que derrubou um governo democraticamente eleito, Mianmar vive uma grave crise política, econômica e humanitária — agora intensificada pelo terremoto.

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