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Fumaça de incêndios florestais no Canadá avança sobre os Estados Unidos


Incêndios florestais de grande proporção continuam se espalhando pelas regiões oeste e central do Canadá, obrigando milhares de pessoas a deixarem suas casas. Com intensidade crescente, as chamas já afetam seriamente a qualidade do ar e estão lançando uma densa nuvem de fumaça que avança sobre o norte dos Estados Unidos, alcançando importantes centros urbanos.

Os governos das províncias de Manitoba e Saskatchewan decretaram estado de emergência diante do agravamento da situação. Na sexta-feira (30), grande parte do território canadense — dos Territórios do Noroeste até Ontário — estava classificada sob risco “extremo” de incêndios, o mais alto na escala da agência ambiental federal.

De acordo com o Centro Interagências Canadense de Incêndios Florestais, mais de 170 focos ativos foram registrados até quinta-feira (29), sendo que cerca de metade está fora de controle. O governo federal elevou o Nível Nacional de Preparação para 5 — o máximo da escala — ainda no início da temporada, algo que no ano passado só ocorreu em meados de julho.

Em Manitoba, cerca de 17 mil pessoas receberam ordens de evacuação, incluindo moradores da cidade de Flin Flon, da Nação Cree Pimicikamak, da comunidade de Cross Lake e da Nação Cree Mathias Colomb. A província permanecerá em estado de emergência por pelo menos 30 dias, podendo prorrogar o prazo conforme a evolução dos incêndios.

O premiê provincial, Wab Kinew, descreveu o momento como um dos mais graves da história recente. “É um tempo de medo e incerteza. Esta é a maior evacuação que muitas pessoas já vivenciaram”, declarou.

Uma das situações mais críticas ocorre em Pukatawagan (Mathias Colomb), onde cerca de 2 mil pessoas estão isoladas após o fechamento do aeroporto por conta da fumaça densa. Segundo o chefe local, Gordie Bear, a comunidade enfrenta desespero crescente. “Está ficando mais difícil. Precisamos sair daqui”, disse.

Crianças e idosos permanecem entre os que ainda não conseguiram evacuar. “Estou com medo. Minha ansiedade está nas alturas”, relatou Venessa Hart, moradora da comunidade.

Na província vizinha de Saskatchewan, milhares de residentes também foram forçados a sair de suas casas. O premiê Scott Moe decretou estado de emergência por 30 dias após reivindicações de líderes indígenas por mais recursos para o combate às chamas. “A situação é grave. Precisamos de chuva urgentemente”, afirmou Moe.

Especialistas apontam que as mudanças climáticas têm contribuído para incêndios mais frequentes, extensos e intensos. Em 2023, o Canadá enfrentou sua pior temporada já registrada, com mais de 18 milhões de hectares devastados. Neste ano, já foram queimados mais de 6 mil km², o que representa 40% acima da média dos últimos dez anos para o mesmo período.

Manitoba e Saskatchewan concentram quase 90% da área queimada até o momento. Em dois dias, cerca de 100 mil hectares foram consumidos pelo fogo em Saskatchewan. Em Manitoba, apenas desde o último domingo, 170 mil hectares foram atingidos — o dobro da área da cidade de Nova York. Segundo autoridades canadenses, o número de hectares queimados na província já é quatro vezes maior que a média histórica para esta época do ano.

A fumaça originada dos incêndios cobre uma área de mais de meio milhão de milhas quadradas — o equivalente ao dobro do estado do Texas — e está atravessando a fronteira rumo ao Centro-Oeste dos Estados Unidos. Modelos meteorológicos indicam que cidades como Green Bay, Milwaukee, Chicago e Detroit poderão registrar queda na qualidade do ar e visibilidade reduzida ao longo do fim de semana.

O estado de Minnesota emitiu alerta de qualidade do ar para sua porção norte, prevendo níveis de poluição prejudiciais à saúde. Wisconsin e o extremo norte de Michigan também estão em estado de alerta. A região de Arrowhead, em Minnesota, apresentou na manhã desta sexta-feira os piores índices de qualidade do ar do país.

De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, a fumaça deve continuar se deslocando durante o fim de semana, inclusive para partes das Planícies, onde poderá ser visível no céu e causar alterações na luminosidade, com pores do sol mais vibrantes.

A previsão sazonal do Canadá aponta para uma temporada de incêndios acima da média em diversas regiões do país. O mesmo alerta foi emitido para o oeste dos Estados Unidos, com risco elevado previsto até pelo menos o mês de julho.

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