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Governo Trump ordena cancelamento de contratos com Harvard e amplia ofensiva contra universidades


A Casa Branca determinou que agências federais cancelem todos os contratos restantes com a Universidade Harvard, totalizando cerca de US$ 100 milhões. A decisão representa mais um capítulo da ofensiva do governo Trump contra instituições de ensino superior consideradas resistentes às suas diretrizes políticas.

Segundo autoridades do governo, a recomendação foi formalizada por meio de uma carta enviada nesta terça-feira (27) a executivos de compras, assinada por Josh Gruenbaum, da Administração de Serviços Gerais. O documento orienta que cada agência avalie e encerre, por conveniência, os contratos que julgar incompatíveis com seus padrões. Harvard já havia recebido, em abril, outra carta com exigências relacionadas à governança e ao currículo da universidade — todas rejeitadas pela instituição.

A medida se soma a uma série de cortes orçamentários anteriores. Desde o início do embate, Harvard já teve bloqueados mais de US$ 2,65 bilhões em repasses federais. A Casa Branca anunciou ainda estar revisando outros US$ 9 bilhões em contratos e doações federais previstos para os próximos anos.

Entre as justificativas apresentadas para os cortes estão acusações de que a universidade continua adotando critérios raciais no processo de admissão — tema que foi alvo de uma decisão recente da Suprema Corte — e de que falha em garantir a segurança de estudantes judeus.

Harvard tem rejeitado diversas exigências do governo, como o acesso completo aos registros de conduta de estudantes estrangeiros e a realização de auditorias internas para comprovar diversidade de pensamento. No entanto, segundo a administração da universidade, a instituição está em conformidade com a decisão da Suprema Corte sobre o fim da política de ação afirmativa e vem adotando medidas contra o antissemitismo no campus.

Em entrevista à rádio NPR, o presidente de Harvard, Alan Garber, afirmou que não compreende totalmente as motivações da Casa Branca, mas acredita que elas fazem parte de um “conflito cultural”. “Eles não gostam do que tem acontecido nos campi universitários, e às vezes não gostam do que representamos”, declarou.

A tensão entre Harvard e o governo se intensificou nas últimas semanas. A universidade entrou com uma ação judicial contra a suspensão de US$ 2,2 bilhões em verbas federais, seguida por outro bloqueio de US$ 450 milhões. Além disso, o Departamento de Educação dos EUA emitiu um alerta a todas as instituições de ensino superior, ameaçando cortar recursos de universidades que não protejam estudantes judeus ou que utilizem critérios raciais em sua gestão acadêmica.

Na última semana, o governo também revogou a autorização de Harvard para matricular estudantes estrangeiros, decisão que está temporariamente suspensa por ordem judicial. A universidade considera a medida uma retaliação clara por sua recusa em cumprir as exigências ideológicas do governo.

Além dos bloqueios atuais, o ex-presidente Donald Trump ameaçou cortar mais US$ 3 bilhões em financiamento federal e retirar o status de isenção fiscal da universidade.

Em meio à crise, Garber alertou para o impacto mais amplo das medidas. “Embora nosso foco principal seja o ensino e a aprendizagem, muito do que fazemos está relacionado à pesquisa. Muitos avanços, especialmente em áreas como o tratamento do câncer, têm origem em Harvard e em outras universidades de pesquisa”, afirmou.

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