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Após deixar governo, Musk ataca projeto de Trump e chama proposta de “abominação nojenta”


O bilionário Elon Musk fez duras críticas ao projeto de lei promovido pelo ex-presidente Donald Trump, que está sendo impulsionado junto aos senadores republicanos. Em publicação feita nesta terça-feira (3) na rede social X, Musk classificou a proposta como uma “abominação nojenta” e condenou os parlamentares que apoiaram a medida.

“Desculpe, mas eu simplesmente não suporto mais. Esse enorme e escandaloso projeto de lei do Congresso, cheio de gastos excessivos, é uma abominação nojenta”, escreveu Musk. “Vergonha para quem votou a favor: vocês sabem que fizeram errado. Vocês sabem.”

Em outra postagem, o empresário afirmou que “o Congresso está levando a América à falência”.

As críticas de Musk não são inéditas. Em entrevista concedida após a aprovação do pacote pela Câmara, o empresário afirmou estar “decepcionado” com o tamanho do projeto e disse que a proposta contribuiria para o aumento do déficit orçamentário, além de prejudicar o trabalho desenvolvido pela equipe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), órgão que ele liderava até a última sexta-feira (30), quando deixou oficialmente a administração.

Questionada durante uma coletiva de imprensa, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou o impacto das críticas. “O presidente já sabe qual é a posição de Elon Musk sobre este projeto de lei. Isso não muda sua opinião — este é um grande e belo projeto, e ele mantém essa posição”, afirmou.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, também respondeu às declarações de Musk. Em conversa com jornalistas na terça-feira, disse que o bilionário está “completamente errado” e revelou ter tido uma “conversa muito amigável” com ele na véspera, na qual teria elogiado o projeto. “Elon está errado, ok? E não é algo pessoal. Sei que o mandato dos veículos elétricos é muito importante para ele. Mas vê-lo criticar o projeto inteiro é, para mim, muito decepcionante e surpreendente, considerando a conversa que tive com ele ontem”, declarou.

O líder da maioria no Senado, John Thune, tratou o episódio como uma “diferença de opinião” e afirmou que pretende manter o ritmo acelerado para aprovar o projeto antes do feriado de 4 de julho.

As declarações de Musk repercutiram entre parlamentares. O senador Rand Paul, republicano do Kentucky, demonstrou apoio ao empresário. “Podemos e devemos fazer melhor. Ambos vimos o enorme desperdício nos gastos do governo e sabemos que mais US$ 5 trilhões em dívida é um grande erro”, escreveu Paul no X.

Na segunda-feira (2), Trump se reuniu com diversos senadores republicanos, incluindo Paul, que manifestou preocupação com os custos do projeto. Em entrevista, o senador afirmou que não poderá apoiar o texto caso o aumento do teto da dívida permaneça incluído. “Simplesmente não é algo conservador de se fazer”, declarou. Segundo ele, Trump foi quem mais falou durante a conversa.

Enquanto isso, o Senado avalia possíveis ajustes no texto para viabilizar sua aprovação. A expectativa da liderança do Congresso é encaminhar a versão final do pacote até o feriado da independência dos Estados Unidos.

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