6/03/2025 01:06:00 PM

A ex-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, anunciou na noite desta segunda-feira (2) que será candidata a deputada estadual pela província de Buenos Aires nas eleições marcadas para 7 de setembro. A decisão foi comunicada durante uma rara entrevista ao canal argentino C5N, na qual a ex-mandatária afirmou que sua candidatura é motivada pelo “senso comum”.
“Alguém acredita que, se o peronismo não tiver um bom desempenho nas eleições provinciais de setembro, poderá ir bem nas legislativas nacionais de outubro?”, questionou Kirchner, destacando a importância da província, que concentra quase 40% do eleitorado argentino e é considerada um reduto histórico do peronismo.
O pleito de outubro, que definirá a composição do Congresso Nacional, será crucial para o governo de Javier Milei, que ainda enfrenta dificuldades para aprovar projetos no Legislativo, onde não possui maioria. Recentemente, o Senado rejeitou a chamada “Lei da Ficha Limpa”, que impediria políticos condenados em segunda instância — como é o caso de Kirchner — de disputar cargos públicos.
Cristina concorrerá pela terceira seção eleitoral da província de Buenos Aires, região que inclui municípios governados por peronistas, como La Matanza e Lomas de Zamora. A candidatura, além de representar uma tentativa de fortalecer o peronismo nas bases, também poderia assegurar foro privilegiado à ex-presidente, que aguarda decisão da Suprema Corte argentina sobre sua condenação a seis anos de prisão por supostos casos de corrupção em obras públicas. Kirchner nega as acusações, afirma ser alvo de perseguição política e recorre da sentença.
Durante a entrevista, a ex-presidente criticou duramente o governo Milei, que classificou como dependente de empréstimos internacionais. Ela citou o recente acordo do governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que liberou um novo financiamento de 20 bilhões de dólares ao país. Kirchner também defendeu uma reforma no Judiciário argentino e fez referência às eleições realizadas no México no domingo (1), onde juízes da Suprema Corte foram escolhidos por voto popular. Segundo ela, o sistema argentino está “capturado” por interesses que sustentam o projeto econômico atual.
Nas redes sociais, o presidente Javier Milei reagiu com ironia à decisão de Kirchner de concorrer a um cargo estadual, sugerindo que seu partido, A Liberdade Avança, “sepultará o kirchnerismo” nas urnas.
A eleição na província de Buenos Aires será observada como um termômetro para o desempenho das forças políticas nas eleições nacionais de outubro, num momento de polarização e instabilidade econômica no país.
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