6/19/2025 06:29:00 PM

O ator Francisco Cuoco, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, morreu nesta quinta-feira (19), aos 91 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein há cerca de 20 dias, tratando complicações de saúde relacionadas à idade. A causa da morte não foi divulgada oficialmente, mas ele enfrentava uma infecção decorrente de um ferimento.
A informação foi confirmada pelo pesquisador e amigo pessoal Mauro Alencar. Cuoco deixa três filhos — Tatiana, Rodrigo e Diogo — além de netos.
Trajetória de um dos maiores galãs da TV
Francisco Cuoco nasceu na capital paulista, filho do feirante Leopoldo, imigrante italiano, e de Antonieta, dona de casa. Antes de se tornar ator, trabalhou na feira com o pai e chegou a planejar uma carreira no Direito. Seu interesse pela atuação surgiu ainda na infância, ao assistir espetáculos de circo no terreno em frente à casa onde vivia, no bairro do Brás.A paixão pelo palco o levou a trocar os estudos de Direito pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, onde se formou após quatro anos. Na sequência, integrou importantes companhias de teatro, como o Teatro Brasileiro de Comédia e o Teatro dos Sete.
No teatro, destacou-se em montagens como O Beijo no Asfalto (1961), de Nelson Rodrigues, e recebeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 1964, pela peça Boeing-Boeing.
Sua estreia na televisão aconteceu no Grande Teatro Tupi, da extinta TV Tupi, onde interpretou diversos papéis entre os anos 1960 e 1964.
Sucesso nas novelas
Na década de 1970, Cuoco consolidou-se como um dos principais galãs da televisão brasileira. Estrelou sucessos como O Cafona (1971), Selva de Pedra (1972), O Astro (1977) e Pecado Capital (1975), onde interpretou Carlão, um de seus personagens mais marcantes.Ao longo da carreira, também esteve em tramas como Feijão Maravilha (1979), O Outro (1987), O Salvador da Pátria (1989), Cobras & Lagartos (2006) e Passione (2010).
Em 2011, participou do remake de O Astro e, mais recentemente, fez participações especiais em Sol Nascente (2016), Salve-se Quem Puder (2020) e No Corre (2023).
Cinema e vida pessoal
Apesar de ser um sonho desde a infância, Cuoco atuou pouco no cinema. Esteve em filmes como Grande Sertão (1968), Traição (1998), Gêmeas (1999), além de produções ao lado de Renato Aragão, como Um Anjo Trapalhão (2000) e Didi - O Caçador de Tesouros (2006). No teatro, sua última atuação foi em Real Beleza (2015).Na vida pessoal, Cuoco se casou três vezes. Foi casado com a atriz Carminha Brandão, entre 1960 e 1964. Depois, com Gina Rodrigues, mãe de seus três filhos, de 1966 até 1984. De 2014 a 2017, manteve um relacionamento com a estilista Thaís Almeida.
Ao longo da carreira, viveu desentendimentos pontuais, como o episódio envolvendo a atriz Carolina Ferraz durante as gravações do remake de Pecado Capital (1998). Anos depois, ambos trabalharam juntos novamente em O Astro (2011) e declararam ter superado o episódio.
Fase final e despedida
Durante a pandemia, Cuoco enfrentou um quadro de depressão, agravado pelo isolamento social. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, em 2021, contou que contou com o apoio dos filhos para superar a fase difícil. “Devagarinho, com a ajuda dos filhos, fui me recuperando. Acho que hoje estou bem melhor”, afirmou na época.Em 2020, também precisou lidar com um processo de paternidade movido pelo modelo Anthony Junior, que foi encerrado após o exame de DNA dar resultado negativo.
Francisco Cuoco deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas à televisão, ao teatro e à cultura brasileira. Ícone de gerações, será sempre lembrado por seus personagens carismáticos e pela contribuição histórica à dramaturgia nacional.
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