6/20/2025 04:57:00 PM

Israel utilizou pela primeira vez o Iron Beam — conhecido como Raio de Ferro —, um sistema de defesa aérea que emprega feixes de laser para interceptar mísseis e drones. A informação foi divulgada na quarta-feira (18) pela agência de notícias russa Tass, que cita um funcionário da embaixada de Israel na Rússia.
Segundo a agência, a tecnologia está sendo usada como parte da estratégia de defesa contra os ataques do Irã, no conflito iniciado na sexta-feira (13).
O ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, já havia classificado o sistema como uma “mudança estratégica para Israel e para o mundo” durante o anúncio de desenvolvimento do equipamento, em 2022.
O que é o Raio de Ferro?
O Raio de Ferro é um sistema de defesa que utiliza laser de alta energia para neutralizar ameaças como foguetes, artilharia, morteiros, mísseis de cruzeiro e drones — inclusive enxames de veículos aéreos não tripulados.Diferente dos sistemas tradicionais, que utilizam mísseis, o Raio de Ferro dispara feixes de luz concentrada capazes de destruir os alvos no ar com extrema precisão.
Embora Israel já tenha utilizado outros sistemas de laser em menor escala, esta é a primeira vez que há relatos do uso do Raio de Ferro em um conflito real. As autoridades israelenses, no entanto, não confirmaram oficialmente o uso da tecnologia.
Como funciona o Raio de Ferro?
O sistema opera com um canhão de laser que emite um feixe de até 100 kW de potência, suficiente para fornecer energia a aproximadamente 360 residências durante um mês.O equipamento combina o disparo do laser com um sistema de monitoramento por GPS e um centro de comando que rastreia os alvos. O feixe tem o diâmetro de uma moeda e é altamente preciso. Além disso, o laser não sofre interferência de fatores como vento ou temperatura.
Entre as principais vantagens estão o baixo custo por disparo e a eliminação da necessidade de munição física, o que reduz os custos logísticos. De acordo com o fabricante, o custo de cada interceptação é considerado “praticamente zero”, especialmente se comparado aos atuais mísseis de defesa, que custam entre US$ 40 mil e US$ 80 mil cada.
Mobilidade e operação
O Raio de Ferro pode ser instalado tanto em estruturas fixas quanto em unidades móveis, como caminhões e blindados. As autoridades israelenses afirmam que a tecnologia também pode ser adaptada para funcionar em aeronaves civis, ampliando ainda mais sua versatilidade no combate a ameaças aéreas.O sistema foi projetado para funcionar em diferentes condições climáticas. Até mesmo nuvens densas não interferem na trajetória do feixe, segundo os desenvolvedores.
Quais são as limitações?
Apesar das vantagens operacionais e do custo reduzido, o Raio de Ferro possui algumas limitações. Seu alcance efetivo é de cerca de 10 quilômetros, considerado curto para cenários de conflito de larga escala.Além disso, por depender de energia elétrica ou baterias, o sistema pode enfrentar desafios de autonomia, especialmente em longas operações sem possibilidade de recarga.
Outro ponto de atenção é que, até agora, o sistema não havia sido testado em um cenário de guerra real, funcionando principalmente como apoio aos sistemas convencionais, como o Domo de Ferro.
Tecnologia em evolução
O desenvolvimento do Raio de Ferro levou quase uma década. Segundo as Forças de Defesa de Israel, o sistema representa um avanço significativo na defesa aérea, mas sua aplicação em campo ainda está em fase de consolidação.A utilização do sistema no atual conflito com o Irã marca um novo capítulo no uso de armamentos baseados em energia, que podem transformar o futuro da defesa militar em todo o mundo.
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