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Rússia atribui a explosões o colapso de duas pontes perto da fronteira com a Ucrânia


Explosões atingiram duas pontes nas regiões de Bryansk e Kursk, no oeste da Rússia, na noite de sábado (31) e madrugada de domingo (1º), causando os desabamentos das estruturas e deixando pelo menos sete mortos e 69 feridos, segundo o Comitê Investigativo da Rússia.

O primeiro incidente ocorreu por volta das 22h50 (horário local) na região de Bryansk. Uma ponte ferroviária desabou no momento em que um trem de passageiros com 388 pessoas a bordo passava por baixo. A composição seguia de Klimovo para Moscou. Passageiros relataram terem escapado dos vagões danificados no escuro. Imagens divulgadas mostram parte da locomotiva esmagada e diversos vagões destruídos.

“Foi uma explosão deliberada. A ponte foi detonada enquanto o trem passava”, afirmou o governador de Bryansk, Alexander Bogomaz, à televisão estatal.

Cerca de quatro horas depois, uma segunda explosão foi registrada na região vizinha de Kursk. Desta vez, a detonação atingiu uma ponte ferroviária que passava sobre uma estrada. Vagões de um trem de carga foram lançados sobre a rodovia, ferindo motoristas e bloqueando o tráfego local.

O Comitê Investigativo da Rússia, responsável por casos criminais graves, confirmou que as duas estruturas foram alvos de explosões e está tratando os incidentes como atos coordenados.

O presidente Vladimir Putin foi informado sobre os ataques pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) e pelo Ministério de Emergências. Ele também conversou com o governador de Bryansk, conforme informou o Kremlin.

Suspeitas e acusações

As regiões de Bryansk e Kursk, que fazem fronteira com a Ucrânia, têm sido alvos frequentes de ataques desde o início da guerra em 2022. Embora a Ucrânia não tenha se manifestado oficialmente sobre os incidentes, autoridades russas apontam Kiev como responsável.

“O que vimos foi claramente sabotagem dos serviços especiais ucranianos”, disse Andrei Kartapolov, presidente do Comitê de Defesa da Duma Estatal, ao canal SHOT no Telegram. “O objetivo é minar as negociações de paz e espalhar o medo entre a população.”

Diplomacia sob pressão

Os ataques acontecem às vésperas de uma nova rodada de negociações entre representantes russos e ucranianos, marcada para esta segunda-feira (2), em Istambul, na Turquia. A expectativa é discutir possíveis caminhos para encerrar o conflito que, segundo estimativas dos Estados Unidos, já causou mais de 1,2 milhão de mortos e feridos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, pressionou os dois países a chegarem a um acordo e ameaçou suspender o apoio militar dos EUA à Ucrânia caso não haja avanços concretos nas conversas. Isso poderia transferir o ônus da ajuda militar para os países europeus.

As explosões nas pontes colocam as negociações em um cenário ainda mais tenso e devem ser debatidas durante os encontros diplomáticos.

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