6/04/2025 05:55:00 PM

Quase cinco meses após ser lançada a bordo de um foguete da SpaceX na Flórida, a sonda lunar Resilience, da empresa japonesa Ispace, se prepara para tentar pousar na superfície da Lua nesta quinta-feira (5), às 15h24 (horário de Brasília). A missão compartilhou o voo com outro módulo lunar, o Blue Ghost, da empresa norte-americana Firefly Aerospace, que aterrissou com sucesso em março, tornando-se o primeiro veículo comercial robótico a pousar em pé no solo lunar.
A Ispace, no entanto, não parece preocupada em perder o título de pioneira. A empresa optou por uma rota mais longa e econômica, conhecida como “transferência de baixa energia”, que envolve uma trajetória mais suave e com menor consumo de combustível. Essa escolha, segundo executivos da companhia, tem oferecido vantagens importantes para o desenvolvimento tecnológico e a experiência de sua equipe.
“Durante esse trajeto de quatro ou cinco meses, pequenos eventos ocorrem diariamente — aprendizados que não seriam possíveis em missões mais curtas”, explicou Jumpei Nozaki, diretor financeiro da Ispace.
Ao longo dos últimos meses, equipes de controle da missão se revezaram na sede da empresa em Tóquio, adquirindo uma experiência rara em operações de voos espaciais de longa duração. Apesar disso, a Ispace está ciente dos riscos. Sua primeira tentativa de pouso, em abril de 2023, terminou em uma colisão após uma jornada igualmente longa.
A bordo do Resilience estão três instrumentos científicos: um módulo experimental de produção de alimentos à base de algas, um monitor de radiação espacial e um eletrólito de água — dispositivo que busca produzir oxigênio e hidrogênio no ambiente lunar.
A sonda tentará pousar na região de Mare Frigoris, uma vasta planície no extremo norte da Lua. O local foi escolhido por sua topografia mais plana em comparação com a cratera Atlas, onde a primeira missão da Ispace falhou no pouso. A empresa afirma que a nova região oferece maior flexibilidade para manobras.
Se a sonda pousar com sucesso e se manter em pé, a Ispace se tornará a primeira empresa comercial fora dos Estados Unidos a alcançar tal feito. Até agora, apenas a Firefly Aerospace conseguiu um pouso completamente bem-sucedido com o módulo Blue Ghost. A Intuitive Machines, outra concorrente norte-americana, também conseguiu pousar duas sondas na Lua, mas ambas acabaram tombadas, o que limitou suas operações científicas.
Tanto Firefly quanto Intuitive Machines fazem parte da iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), da NASA, que integra o programa Artemis — a ambiciosa missão da agência espacial americana para levar astronautas de volta à Lua após mais de 50 anos. As missões comerciais robóticas, como a de Resilience, atuam como precursoras, testando tecnologias e preparando terreno para futuras explorações tripuladas.
A Ispace já planeja sua próxima missão, o Apex 1.0, em parceria com a empresa Draper, com sede em Massachusetts. Diferente de Resilience, essa nova sonda utilizará uma rota mais direta para alcançar a Lua em menos tempo — uma exigência crescente dos clientes, que incluem universidades, empresas e agências governamentais. A longa exposição ao ambiente espacial pode prejudicar os instrumentos, e a empresa busca reduzir esse risco nas futuras missões.
O pouso desta quinta-feira será transmitido ao vivo pelas plataformas YouTube e X (antigo Twitter). A expectativa é grande — e o resultado pode marcar mais um passo importante na nova corrida lunar liderada pela iniciativa privada.
Comentários
Postar um comentário