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Suprema Corte argentina rejeita recurso e autoriza prisão de Cristina Kirchner


A Suprema Corte de Justiça da Argentina rejeitou nesta terça-feira (10) o último recurso apresentado pela ex-presidente Cristina Kirchner para tentar anular sua condenação por corrupção. Com a decisão, a sentença de seis anos de prisão está mantida, e Cristina pode ser detida a qualquer momento.

A condenação já havia sido confirmada por duas instâncias judiciais e, até agora, a ex-presidente aguardava em liberdade o desfecho do processo. Após a decisão da Corte, ela perdeu também o direito de concorrer a cargos públicos. Cristina havia anunciado recentemente sua pré-candidatura às eleições legislativas de setembro, em busca de uma vaga como deputada pela província de Buenos Aires.

A ex-presidente acompanhou o resultado na sede do Partido Justicialista, na capital argentina. Do lado de fora, dezenas de apoiadores se reuniram em manifestação de apoio. Cristina convocou seus simpatizantes a irem às ruas contra a decisão judicial. De acordo com o jornal Clarín, houve bloqueios em rodovias de acesso à cidade de Buenos Aires.

Aos 71 anos, a ex-presidente pode solicitar que a pena seja cumprida em regime domiciliar, conforme prevê a legislação argentina para pessoas com mais de 70 anos.

As acusações

Cristina Kirchner foi considerada culpada por favorecer irregularmente uma empreiteira da província de Santa Cruz, base política de sua família. O empresário beneficiado venceu 51 licitações de obras públicas entre 2003 e 2015, período que abrange o governo de seu marido, Néstor Kirchner, e os dois mandatos presidenciais da própria Cristina.

A Justiça apontou que Cristina chefiava uma organização criminosa e conduziu uma administração fraudulenta, causando um prejuízo estimado em US$ 1 bilhão aos cofres públicos.

Desde o início do processo, Cristina negou todas as acusações. Ela afirmou que o julgamento foi motivado por interesses políticos e que a sentença já estava definida antes mesmo da fase de defesa. Na época, chegou a comparar o tribunal a um “pelotão de fuzilamento”.

Cristina Kirchner presidiu a Argentina entre 2007 e 2015 e retornou ao poder como vice-presidente entre 2019 e 2023, durante o governo de Alberto Fernández.

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